05 jun 2026
Importação do Brasil em maio/2026: carros elétricos e híbridos (US$ 1,49 bi, +88% YoY) superaram o diesel. China volta a 28,2%.
Vinicius Alves Marques - Founder
Founder na Heyship
Brasil importou US$ 24,08 bilhões em maio/2026 — e, pela primeira vez em 2026, carros elétricos e híbridos (US$ 1,49 bi) superaram o diesel (US$ 1,33 bi) como maior frente de importação do mês.
A eletromobilidade quase dobrou em um ano: +87,9% versus maio/2025, e 91,4% desses veículos vieram da China. Foi o que recolocou a China em 28,23% das importações (+2,62pp no mês) — uma alta que, desta vez, é real: em valor, as compras da China cresceram 12,3% MoM. O total brasileiro subiu 1,89% MoM e 5,34% YoY.
Diferente de fevereiro — distorcido por plataformas de petróleo — e de abril, puxado por diesel russo, maio foi um mês limpo: nenhuma NCM passou de 10% do total. Sem outlier pontual pra esconder a estrutura, o dado que sobra é o mais importante do ano: a frota eletrificada brasileira virou uma nova dependência chinesa — e está sendo importada às pressas antes da próxima alta do imposto.
Três movimentos relevantes — um estrutural, um silencioso, um previsível.
| País | Valor (US$ bi) | Mai/2026 | Abr/2026 | Variação |
|---|---|---|---|---|
| 🇨🇳 China | 6,80 | 28,23% | 25,61% | +2,62pp ⬆ |
| 🇺🇸 EUA | 3,21 | 13,33% | 13,09% | +0,24pp |
| 🇷🇺 Rússia | 1,33 | 5,52% | 5,77% | −0,25pp |
| 🇦🇷 Argentina | 1,19 | 4,96% | 4,98% | −0,02pp |
| 🇩🇪 Alemanha | 1,18 | 4,88% | 4,90% | −0,02pp |
| Top 5 total | 13,71 | 56,92% | 54,35% | +2,57pp |
Maiores frentes de importação — maio/2026 (US$ milhões)
Somados, carros elétricos e híbridos (3 NCMs do grupo 8703) superaram o diesel pela primeira vez em 2026
Eletromobilidade = NCMs 8703.60 (híbrido plug-in, US$ 843M) + 8703.80 (100% elétrico, US$ 431M) + 8703.40 (híbrido, US$ 221M). O grupo cresceu 87,9% versus maio/2025 e supera o diesel mesmo o diesel sendo o maior NCM individual do mês. Fonte: MDIC / ComexStat (cálculo Heyship).
Carros 100% elétricos e híbridos somaram US$ 1,49 bilhão em maio, contra US$ 795 milhões em maio/2025 — alta de 87,9% em 12 meses. O híbrido plug-in (NCM 8703.60) sozinho foi o 2º maior produto importado do país no mês (US$ 843 mi), atrás só do diesel. Desse total eletrificado, US$ 1,37 bi (91,4%) veio da China — Alemanha, EUA, Coreia e Japão dividem migalhas de ~1% cada.
China voltou a 28,23% das importações (+2,62pp no mês). Diferente de outras altas de participação, esta veio de compra real, não de queda no total: em valor absoluto, a China cresceu 12,3% MoM (de US$ 6,05 bi para US$ 6,80 bi). Quando o valor sobe mais que a participação, a dependência é estrutural — e a eletromobilidade é boa parte do motivo.
Nenhuma NCM passou de 10% do total em maio — o maior, o diesel, ficou em 5,53%. É o primeiro mês de 2026 sem distorção pontual (plataforma, aeronave, CAPEX único). Quando ninguém distorce, o que aparece é a dependência real: combustíveis, fertilizantes, farma, chips e, agora, carros eletrificados. Tudo concentrado em poucos fornecedores.
Três fatores convergiram em maio — e o principal tem prazo de validade.
O ponto cego: parte dessa alta é antecipação tributária. Espere uma queda nas importações de elétricos no 2º semestre, quando o imposto de 35% entrar em vigor. Mas a dependência estrutural — China como fornecedora única de eletromobilidade — não vai embora com a tarifa. Só fica mais cara.
| UF de destino | Valor (US$ bi) | Mai/2026 | Share |
|---|---|---|---|
| São Paulo | 7,40 | 30,73% | 1º |
| Santa Catarina | 2,99 | 12,40% | 2º |
| Paraná | 1,98 | 8,21% | 3º |
| Espírito Santo | 1,74 | 7,24% | 4º |
| Amazonas | 1,69 | 7,03% | 5º |
| Top 5 total | 15,80 | 65,61% | — |
UF de destino é o estado do CNPJ do importador — não onde a mercadoria fisicamente desembarca (para isso, ver a tabela de URFs adiante). São Paulo concentrou 30,7% de tudo o que o Brasil importou em maio. Espírito Santo (7,24%) entrou no Top 5, puxado pelo Porto de Vitória — escoamento de carvão e granéis. Amazonas em 5º (7,03%) mantém a Zona Franca de Manaus como polo de eletrônicos e veículos.
| Modal | Share |
|---|---|
| 🚢 Marítimo | 74,84% |
| ✈️ Aéreo | 19,93% |
| 🚛 Rodoviário | 4,41% |
| Outros (conduto/rede, ferroviário, ficta) | 0,82% |
Top 5 portas de despacho aduaneiro (URFs) em maio:
| URF (porta de entrada física) | UF | Share |
|---|---|---|
| 🚢 Porto de Santos | SP | 25,21% |
| 🚢 Porto de Paranaguá | PR | 7,76% |
| 🚢 Porto de Vitória | ES | 7,06% |
| 🚢 Itajaí | SC | 5,73% |
| 🚢 Porto de São Francisco do Sul | SC | 5,42% |
| Top 5 total | — | 51,18% |
Mais da metade do que entra no Brasil passa por apenas 5 portos. Santos sozinho concentra 25,21% do total nacional — vulnerabilidade silenciosa que reaparece em qualquer greve ou congestionamento portuário.
| # | NCM | Descrição | Categoria | US$ M | % total |
|---|---|---|---|---|---|
| 1 | 2710.19.21 | Gasóleo (óleo diesel) | ⛽ Combustível | 1.331 | 5,53% |
| 2 | 8703.60.00 | Veículos híbridos plug-in | ⚡ Eletromobilidade | 843 | 3,50% |
| 3 | 3104.20.90 | Cloreto de potássio | 🌾 Fertilizante | 481 | 2,00% |
| 4 | 8703.80.00 | Veículos 100% elétricos | ⚡ Eletromobilidade | 431 | 1,79% |
| 5 | 2709.00.10 | Óleos brutos de petróleo | ⛽ Combustível | 346 | 1,44% |
| 6 | 3002.15.90 | Produtos imunológicos em doses | 💊 Farma | 321 | 1,33% |
| 7 | 8704.21.90 | Caminhões a diesel ≤5t | 🚛 Automotivo | 319 | 1,33% |
| 8 | 8542.32.10 | Memórias (chips) não montadas | 📱 Eletrônicos | 252 | 1,05% |
| 9 | 7403.11.00 | Cátodos de cobre refinado | 🏭 Metais | 252 | 1,05% |
| 10 | 2701.12.00 | Hulha betuminosa (carvão) | ⛽ Combustível | 239 | 0,99% |
| Top 10 acumulado | 4.815 | 19,99% | |||
Os top NCMs de maio contam uma história de transição: combustíveis fósseis ainda no topo (diesel, petróleo, carvão somam US$ 1,92 bi), mas a eletromobilidade já ocupa duas das quatro primeiras posições.
No ritmo de maio, é um run-rate de quase US$ 18 bilhões/ano em veículos eletrificados — 91% deles chineses. A ressalva: parte é antecipação tributária e deve recuar após a alta do imposto em julho. Mas a origem única (China) não muda com a tarifa.
Brasil segue importador estrutural de energia: capacidade de refino interna não muda no curto prazo. Cada ponto de crescimento do PIB puxa mais diesel pra dentro.
O maior exportador agrícola do mundo depende de fertilizante importado pra plantar — uma das dependências mais antigas e perigosas da pauta brasileira.
Produtos imunológicos (US$ 321 mi) e medicamentos especializados (US$ 230 mi) mantêm a farma em ~US$ 550 mi/mês. Memórias e processadores (US$ 437 mi) confirmam: semicondutor é 100% importado, sem alternativa nacional à vista.
Já temos cinco meses de 2026 fechados (Jan a Mai). É o suficiente pra separar tendência de ruído — e a eletromobilidade passa no teste.
| Indicador | Mai/2025 | Mai/2026 | Variação |
|---|---|---|---|
| Veículos eletrificados importados | US$ 795 mi | US$ 1.495 mi | +87,9% YoY |
| Origem China | ~88% | 91,4% | +3,4pp |
| Posição no ranking de NCMs | fora do top 5 | #2 e #4 | ⬆ |
O salto YoY de 88% é a prova de que não é ruído mensal — é mudança estrutural. Mas a leitura completa exige cuidado: o número de maio também carrega antecipação tributária (corrida antes do imposto de 35% em julho). Quem olhar só o pico mensal vai superestimar a demanda real; quem cruzar com o calendário tarifário entende que parte do volume é empréstimo do 2º semestre.
Mês isolado mostra o pico. A série de 12 meses mostra a dependência.
A alíquota de Imposto de Importação sobe em julho/2026 (até 35% para 100% elétricos). Cada embarque que cruzar o desembaraço antes da virada do semestre economiza tributo relevante. Revise lead times de fábrica na China, agenda de navio e fila aduaneira em Santos — atraso de 2 semanas pode custar a alíquota cheia.
A eletromobilidade é 91% China, mas chips, baterias e autopeças seguem o mesmo padrão. Calcule quanto da sua pauta depende de um único país. Se passar de 70% em qualquer categoria crítica, tenha pelo menos uma alternativa cotada (Coreia, Índia, México) antes do próximo choque de tarifa ou frete.
Maio teve pico de eletrificados por antecipação tributária — comparar maio com junho vai dar uma “queda” que não é perda de mercado, é normalização. Use YoY (maio/2025 vs maio/2026) e média móvel pra enxergar a tendência real. O Brasil cresceu +5,34% YoY em maio; se sua operação caiu YoY, é sinal de perda de share — não de mercado fraco.
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Testar a Heyship grátis →Maio não teve plataforma de petróleo nem spike alemão pra distorcer a conta. Foi um mês limpo — e por isso revelou a transição mais importante de 2026: o Brasil trocou parte da sua dependência de diesel por dependência de carro elétrico chinês. Os dois problemas têm a mesma raiz: fornecedor concentrado e cadeia local inexistente.
O Brasil importou US$ 24,08 bilhões em maio. A China respondeu por 28,2% — e quase metade do crescimento chinês do mês veio de veículos eletrificados, importados às pressas antes do imposto subir. Quem analisa um mês isolado vê um pico de elétricos e comemora. Quem cruza com o calendário tarifário e a série anual entende que é antecipação sobre uma dependência que só fica mais cara. Quem mapeia origem, sobrevive ao próximo choque.
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Dados oficiais:
Análise baseada em dados oficiais do Comex Stat / MDIC · Período: maio/2026 · Imagem de capa: Luke Miller / Pexels · Atualizado em 2026-06-05
Escrito por
Vinicius Alves Marques - Founder
Empreendedor experiente em comércio internacional, com foco em otimização de processos e automação logística. Fundou a primeira empresa na China em 2012.
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