Importações Brasil Abril 2026: Rússia 3º, diesel +41% | Heyship
Análise de Mercado 10 de maio de 2026 · 12 min de leitura

Rússia salta a 3º fornecedor do Brasil em abril — diesel +41% MoM

Dados oficiais de importação do Brasil — abril/2026: Rússia salta para 3º fornecedor (+35% MoM), diesel +41% MoM. Países, modais, URFs e estados.

Vinicius Alves Marques - Founder

Vinicius Alves Marques - Founder

Founder na Heyship

Análise das importações brasileiras de abril 2026 — dados ComexStat MDIC mostrando Rússia em 5,67% e diesel +41%

Brasil importou US$ 23,61 bilhões em abril/2026 — e a Rússia foi a única grande potência que cresceu: +35% MoM em valor, saltando da 5ª para a 3ª posição entre fornecedores.

O motor da subida russa: diesel (gasóleo) cresceu 41% MoM, fechando abril em US$ 1,03 bi — o maior NCM individual do mês. China caiu de 26,4% para 25,6%, Alemanha despencou 24% (correção do spike pontual de março). O total brasileiro recuou 6,3% MoM, mas continua em alta de 6,25% YoY.

Quem leu a edição de março entende o ritmo: outliers se desfazem em 30 dias, mudanças estruturais permanecem. Em abril, a Rússia parece estrutural — mas só vamos confirmar daqui a 60 dias. Por enquanto, é a movimentação mais relevante do trimestre.


O que mudou em abril

Três movimentos relevantes — um real, um corretivo, um previsível.

PaísValor (US$ bi)Abr/2026Mar/2026Variação
🇨🇳 China6,0525,64%26,44%−0,80pp
🇺🇸 EUA3,1013,12%13,15%−0,03pp
🇷🇺 Rússia1,345,67%3,92%+1,75pp ⬆
🇦🇷 Argentina1,184,99%4,47%+0,52pp
🇩🇪 Alemanha1,164,90%6,01%−1,11pp ⬇
Top 5 total12,8354,32%54,00%+0,32pp
Top 5 países de origem das importações brasileiras em abril/2026 vs março/2026 — variação em pontos percentuais (pp). Fonte: MDIC / ComexStat.

Variação MoM em valor (US$) — Top 5 fornecedores

Crescimento ou queda de cada país de março para abril/2026 · Rússia foi a única alta significativa

🇷🇺 Rússia
+35,3%
🇦🇷 Argentina
+4,4%
🇺🇸 EUA
−6,6%
🇨🇳 China
−9,2%
🇩🇪 Alemanha
−23,6%

A Rússia cresceu 35% em valor enquanto todos os outros grandes fornecedores caíram. Alemanha corrigiu o spike de março (puxado por farma e auto). China voltou ao patamar estrutural depois do recorde mensal. Fonte: MDIC / ComexStat.

Mudança 1 (real): Rússia disparou — diesel puxou +41%

Rússia importou US$ 1,34 bi para o Brasil em abril — alta de US$ 349 milhões versus março. Em participação, saltou de 3,92% para 5,67%, ocupando a 3ª posição no ranking de fornecedores. O combustível foi o motor: gasóleo (NCM 27101921) cresceu 41% MoM em valor (US$ 1,03 bi), e o petróleo bruto adicionou mais US$ 664 milhões.

Mudança 2 (corretiva): Alemanha caiu 24% — fim do spike de março

Em março escrevemos: “a alta alemã pode ter componente estrutural — atenção”. Abril deu a resposta: foi spike. Alemanha voltou de 6,01% para 4,90%, caindo 24% em valor. Medicamentos especializados e autopeças premium recuaram à média histórica. Lição: 30 dias não confirmam tendência, é preciso 90 dias mínimo.

Mudança 3 (previsível): China voltou ao patamar estrutural

China caiu de 26,44% para 25,64% — recuo de 9,2% em valor após o recorde mensal de março. É movimento natural pós-pico, não inflexão estrutural. Média móvel trimestral continua em ~26%. Se você pegou só o número de abril e tirou conclusão de “China está caindo”, repita o erro de fevereiro.


Por que a Rússia subiu tanto?

Três fatores convergiram em abril — todos econômicos, nenhum político.

  1. Sanções europeias desviaram fluxo — desde 2023, a UE proibiu importação direta de produtos petrolíferos refinados russos. O fluxo desviou para Índia (refina e reexporta) e para destinos “neutros” como Brasil, Turquia e China.
  2. Diesel russo é mais barato — desconto estimado de 10–15% versus preço de mercado, derivado do excesso de oferta represado por sanções. Para refinarias e tradings brasileiras, é matemática simples: comprar russo gera margem.
  3. Brasil é importador líquido de combustíveis — capacidade interna de refino do país está estagnada. Cada % de crescimento do PIB exige mais importação. Quem oferece mais barato, ganha pedido.

O resultado é que o Brasil tornou-se um dos maiores destinos individuais de combustíveis russos no mundo — atrás apenas da Índia em termos absolutos. E essa dependência energética russa cresceu silenciosamente: passou de menos de 2% das importações em 2024 para 5,67% em abril/2026.


Top 5 estados que mais importaram em abril — SP lidera com 31,4%

UF de destinoValor (US$ bi)Abr/2026Mar/2026
São Paulo7,4131,37%31,93%
Santa Catarina3,1313,28%12,40%
Paraná2,068,75%8,13%
Rio de Janeiro1,727,27%6,64%
Minas Gerais1,697,15%6,39%
Top 5 total16,0167,82%65,49%
Top 5 estados brasileiros por valor importado em abril/2026 — UF é o estado do CNPJ do importador. Fonte: MDIC / ComexStat.

UF de destino é o estado do CNPJ do importador — não onde a mercadoria fisicamente desembarca (para isso, ver a tabela de URFs adiante). São Paulo concentrou 31,4% do total importado pelo Brasil em abril, ligeiro recuo versus março. SC, PR, RJ e MG ganharam share — a concentração nos top 5 subiu de 65,5% para 67,8%, sinal de que a desconcentração para estados secundários ainda não acontece.

Destaque para o Amazonas em 6º lugar com US$ 1,52 bi (6,46%) — Zona Franca de Manaus continua puxando importações de eletrônicos e veículos.


Modais e portas de despacho — marítimo lidera com 75,5%

ModalValor (US$ bi)Share
🚢 Marítimo17,8275,47%
✈️ Aéreo4,5519,29%
🚛 Rodoviário1,034,36%
Outros (conduto, ficta, ferroviário, etc.)0,210,88%
Distribuição das importações brasileiras de abril/2026 por modal de transporte (valor FOB em US$). Marítimo subiu 1,9pp vs março — coerente com a alta de combustíveis russos (transportados por navio-tanque). Fonte: MDIC / ComexStat.

Marítimo subiu para 75,5% (vs 73,6% em março), praticamente todo o ganho indo para combustíveis e fertilizantes — cargas tipicamente embarcadas em navio-tanque ou granel sólido. Aéreo recuou ligeiramente (eletrônicos e farma seguem em ritmo normal).

Top 5 portas de despacho aduaneiro (URFs) em abril:

URF (porta de entrada física)UFValor (US$ bi)Share
🚢 Porto de SantosSP6,3626,93%
🚢 Porto de ParanaguáPR1,877,93%
✈️ Aeroporto de ViracoposSP1,446,12%
🚢 Porto de São Francisco do SulSC1,446,08%
🚢 ItajaíSC1,405,93%
Top 5 total12,5152,99%
Top 5 unidades aduaneiras (URFs) que despacharam o maior valor em abril/2026 — desembaraço físico das mercadorias. Porto de São Francisco do Sul (SC) entrou no Top 5 em abril (não estava em março), puxado por carvão mineral e veículos. Fonte: MDIC / ComexStat.

Mais da metade do que entra no Brasil passa por apenas 5 unidades aduaneiras. Santos sozinho concentra 26,93% do total nacional — vulnerabilidade silenciosa que reaparece em qualquer greve portuária.


Dependências estruturais que continuam (e cresceram)

#NCMDescriçãoCategoriaUS$ M% total
12710.19.21Gasóleo (óleo diesel)⛽ Combustível1.0284,36%
22709.00.10Óleos brutos de petróleo⛽ Combustível6642,81%
33104.20.90Cloreto de potássio🌾 Fertilizante4171,77%
48703.80.00Veículos elétricos (puros)⚡ Eletromobilidade3701,56%
58703.60.00Veículos híbridos plug-in⚡ Eletromobilidade3661,55%
68704.21.90Caminhões a diesel ≤5t🚛 Automotivo3201,35%
73002.15.90Produtos imunológicos em doses💊 Farma3091,31%
87403.11.00Cátodos de cobre refinado🏭 Metais3011,27%
93004.39.29Medicamentos com hormônios polipeptídicos💊 Farma2921,24%
102701.12.00Hulha betuminosa (carvão)⛽ Combustível2481,05%
Top 10 acumulado4.31518,27%
Top 10 NCMs (Nomenclatura Comum do Mercosul) por valor FOB importado em abril/2026 — concentração relevante: as 10 maiores categorias somam 18,3% de tudo o que o Brasil trouxe no mês. Diesel (2710.19.21) cresceu 41% MoM e foi o maior NCM individual. Hulha betuminosa entrou no Top 10 (não estava em março). Fonte: MDIC / ComexStat.

Os top NCMs de abril contam a história de sempre — combustíveis, fertilizantes, eletromobilidade — só que agora os números são maiores.

⛽ Combustíveis — US$ 2,05 bi em abril (+20% MoM)

  • Gasóleo (diesel): US$ 1,03 bi (+41% MoM) — recorde de NCM individual no mês
  • Petróleo bruto: US$ 664 milhões
  • Naftas petroquímicas: US$ 202 milhões
  • Gasolinas: US$ 154 milhões

Anualizado: US$ 24+ bilhões/ano em combustíveis importados (15% acima da projeção de janeiro). Brasil é importador estrutural — capacidade de refino interno não muda no curto prazo. Rússia agora fornece a maior parte desse diesel.

🌾 Fertilizantes — US$ 884 milhões em abril

  • Cloreto de potássio: US$ 417 milhões (Brasil importa praticamente 100%)
  • MAP (fosfato monoamônico): US$ 158 milhões
  • Superfosfatos: US$ 163 milhões
  • Ureia: US$ 147 milhões

Brasil é o maior exportador agrícola do mundo e depende de fertilizante importado pra plantar. Rússia, novamente, é fornecedor relevante (especialmente em ureia e fosfatos).

⚡ Eletromobilidade — US$ 736 milhões em abril (+5% MoM)

  • Veículos 100% elétricos: US$ 370 milhões
  • Veículos híbridos plug-in: US$ 366 milhões

Anualizado: US$ 8,8 bilhões/ano em veículos eletrificados. Origem majoritária continua sendo China — eletromobilidade brasileira é dependência chinesa duplicada.


O custo oculto de confiar em números mensais

Já temos 4 meses de 2026 fechados (Jan+Fev+Mar+Abr). É o suficiente pra separar tendência de ruído.

Média móvel 4 meses (Jan + Fev + Mar + Abr/2026)

PaísMédia mensalParticipação real (4m)
ChinaUS$ 5,82 bi/mês26,1%
EUAUS$ 3,07 bi/mês13,1%
RússiaUS$ 1,07 bi/mês4,5%
ArgentinaUS$ 1,13 bi/mês4,8%
AlemanhaUS$ 1,21 bi/mês5,2%
Média móvel quadrimestral (Jan-Abr/2026) — China estrutural em 26,1%, Rússia em ascensão para 4,5% (vs ~3% em 2025). Fonte: MDIC / ComexStat (cálculo Heyship).

O dado mensal de Rússia em abril foi 5,67% — mas a média móvel real é 4,5%. Ainda assim, é o dobro do nível de 2024 (~2%). Se você acompanha só dado mensal, vai ficar histérico todo dia 5. Se acompanha média móvel, vê a história real: Rússia está subindo, mas devagar e estruturalmente.

Mês isolado conta capítulo. Média móvel conta a história.


Três ações práticas para esta semana

1. Mapeie sua exposição a combustíveis russos

Se sua operação importa diesel, petroquímicos ou derivados refinados, calcule quanto vem da Rússia hoje — direto ou via Índia (que refina e reexporta). Diferencial de preço de 10-15% é tentador, mas concentração em fornecedor único sob sanção é risco. Tenha pelo menos 1 alternativa cotada.

2. Compare seu mês com média trimestral, não com mês anterior

Se sua importação caiu 10% versus março, isso pode ser sazonalidade ou ruído. Compare com a média jan-fev-mar-abr para saber se é tendência. Mais ainda: compare abr/2026 com abr/2025 (YoY) para tirar sazonalidade da equação. O Brasil cresceu +6,25% YoY em abril — se sua operação caiu YoY, é sinal de perda de share.

3. Eletromobilidade continua crescendo — planeje 2027 agora

US$ 736 milhões/mês em veículos eletrificados, 100% importados, majoritariamente da China. Se você atua em pós-venda automotivo, autopeças, baterias ou logística reversa, essa frota chega ao mercado nos próximos 24 meses. Quem prepara estrutura agora pega o crescimento; quem espera reage tarde.

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Moral da história

Quando o mundo se reorganiza, a balança comercial mostra primeiro. A Europa rejeitou diesel russo; o Brasil acolheu — silenciosamente, virou um dos maiores compradores individuais. Não foi decisão política, foi arbitragem de preço. E vai continuar enquanto o desconto fizer sentido.

O Brasil importou US$ 96,9 bilhões em quatro meses (Jan+Fev+Mar+Abr/2026). China respondeu por 26,1% disso. Rússia já vai pra 4,5% e subindo. Combustíveis e fertilizantes continuam dependência estrutural. Quem analisa um mês isolado, escreve análise errada todo mês. Quem usa média móvel, vê estrutura. Quem mapeia dependência, sobrevive ao próximo choque.


Para ir mais fundo

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Dados oficiais:


Perguntas Frequentes

Por que a Rússia subiu tanto nas importações brasileiras em abril?

Rússia cresceu 35% MoM em valor (US$ 989M → US$ 1,34 bi) puxada principalmente por diesel (gasóleo NCM 27101921), que cresceu 41% MoM. As sanções europeias desde 2023 desviaram o fluxo de combustíveis russos para destinos “neutros” como Brasil, Índia, China e Turquia. O combustível russo tem desconto de 10-15% versus preço de mercado, e o Brasil é importador estrutural de diesel.

O Brasil tem risco geopolítico ao depender da Rússia para combustíveis?

Sim, mas é risco gerenciável no nível atual (~5,67% do total importado). O risco vira crítico se ultrapassar 15% ou se houver sanções secundárias dos EUA. Importadores brasileiros devem manter pelo menos 1 fornecedor alternativo qualificado (EUA, Oriente Médio, Singapura) por categoria de combustível para mitigar disrupção.

Como saber se a alta da Rússia é estrutural ou pontual?

Três indicadores: (1) a média móvel quadrimestral confirma a tendência? Hoje está em 4,5%, mas o pico mensal (5,67%) precisa se repetir por 2-3 meses para estabelecer estrutura. (2) o spread de preço Brent vs Urals (oil russo) mantém desconto? Se sim, fluxo continua. (3) há mudança política nos EUA ou Brasil sobre sanções secundárias? Se sim, fluxo trava. Repita os 3 testes em maio/2026.

Onde encontro os dados oficiais do ComexStat?

No portal Comex Stat (comexstat.mdic.gov.br) ou diretamente via API pública (api-comexstat.mdic.gov.br). Os dados têm defasagem de 45-60 dias entre o fechamento do mês e a disponibilidade. Abril/2026 foi liberado em 07/maio/2026.

O que mudou pro importador médio em abril?

Três coisas: (1) cotações em USD ficam mais voláteis quando há reorganização geopolítica de fornecedores; revise toda quinzena. (2) frete marítimo aumentou marginalmente em abril (modal subiu de 73,6% pra 75,5%); refaça simulações de rotas alternativas. (3) se importa combustíveis ou petroquímicos, abra cotações com fornecedores não-russos como hedge — o spread de preço atual pode reverter rapidamente.


Análise baseada em dados oficiais do Comex Stat / MDIC · Período: abril/2026 · Imagem de capa: Mumtaz Niazi / Pexels · Atualizado em 2026-05-09

Vinicius Alves Marques - Founder

Escrito por

Vinicius Alves Marques - Founder

Empreendedor experiente em comércio internacional, com foco em otimização de processos e automação logística. Fundou a primeira empresa na China em 2012.

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