21 ago 2026
A Heyship e a Guelcos subiram ao palco do Maranhão Mais Negócios 2026, a convite da Associação Comercial do Maranhão. Os dados do ComexStat explicam por que o estado importa volume e pouco valor, e onde está a oportunidade para o empresário maranhense.
Vinicius Alves Marques - Founder
Founder na Heyship
As importações do Maranhão somaram US$ 4,76 bilhões em 2025, o equivalente a 1,70% de tudo que o Brasil comprou do exterior no ano. Em peso, porém, o estado responde por 5,62% da carga importada pelo país. Essa distância entre valor e tonelagem é a fotografia mais honesta da economia maranhense hoje, e foi o ponto de partida da palestra que a Guelcos e a Heyship levaram ao Maranhão Mais Negócios 2026, no dia 12 de agosto, em São Luís.
O evento é a principal iniciativa de conexão empresarial da Associação Comercial do Maranhão (ACM), que completou 172 anos em 2026. O tema deste ano foi “Reforma Tributária: Riscos e Oportunidades”, com painel da CACB e da SEFAZ-MA pela manhã, e a palestra “Negócios Além da Muralha”, da Guelcos International, à tarde, seguida da rodada de negócios.
Por que isso importa: 88% do que o Maranhão importa é combustível ou fertilizante, insumo de baixo valor agregado e margem definida lá fora. A parcela que sobra, menos de US$ 600 milhões por ano, é onde cabe tudo que uma empresa maranhense pode importar para crescer: máquina, equipamento, marca própria, produto de prateleira.
O convite veio da ACM por meio do empresário André Cutrim de Mendonça, do Lavamatic Group S/A, um dos patrocinadores do evento. Não é um nome novo nessa conversa: André integrou a diretoria da Associação Comercial do Maranhão e já organizou missão empresarial de maranhenses à China antes de a pauta virar consenso no país.
Foram 20 minutos de palco, das 14h, para uma plateia de empresários, entidades e representantes do Governo do Estado e da Prefeitura de São Luís. O recado foi montado de trás para frente: começar pelo que toda empresa quer (receita, margem, clientes, retenção), provar com casos reais de importação e só depois explicar por que a China entra na conta.

Antes de falar de China, vale olhar o que o estado realmente compra. Os dados abaixo vêm do ComexStat, base oficial do MDIC, e usam a UF de destino, que é o estado do CNPJ do importador, não o local físico de desembarque da mercadoria.
| # | NCM | Produto | Categoria | US$ M | % do total |
|---|---|---|---|---|---|
| 1 | 2710.19.21 | Gasóleo (óleo diesel) | ⛽ Combustível | 2.707,6 | 56,91% |
| 2 | 3104.20.90 | Cloreto de potássio | 🌾 Fertilizante | 358,6 | 7,54% |
| 3 | 2710.12.59 | Gasolina (exceto aviação) | ⛽ Combustível | 310,7 | 6,53% |
| 4 | 3103.19.00 | Superfosfatos | 🌾 Fertilizante | 183,8 | 3,86% |
| 5 | 3105.59.00 | Adubos com nitrogênio e fósforo | 🌾 Fertilizante | 178,8 | 3,76% |
| 6 | 2815.12.00 | Soda cáustica em solução | 🧪 Químicos | 155,9 | 3,28% |
| 7 | 3102.10.10 | Ureia | 🌾 Fertilizante | 120,9 | 2,54% |
| 8 | 3103.11.00 | Superfosfato com 35%+ de P2O5 | 🌾 Fertilizante | 119,2 | 2,51% |
| 9 | 3105.40.00 | Fosfato monoamônico (MAP) | 🌾 Fertilizante | 92,1 | 1,94% |
| 10 | 3102.21.00 | Sulfato de amônio | 🌾 Fertilizante | 70,8 | 1,49% |
| Top 10 acumulado | 4.298,4 | 90,36% | |||
A leitura por origem confirma o desenho. Enquanto a China respondeu por 25,31% das importações brasileiras em 2025, no Maranhão ela aparece em terceiro lugar, com 6,08%. Estados Unidos e Rússia, os dois grandes fornecedores de diesel e fertilizante, ficam com dois terços da pauta.
| Origem | US$ M | % do MA | % do Brasil |
|---|---|---|---|
| Estados Unidos | 2.422,4 | 50,91% | 16,11% |
| Rússia | 748,3 | 15,73% | 3,36% |
| China | 289,3 | 6,08% | 25,31% |
| Índia | 237,2 | 4,99% | 2,98% |
| Egito | 168,9 | 3,55% | 0,50% |
Em 2026 o desenho não mudou. Entre janeiro e julho, o estado importou US$ 2,51 bilhões, 1,2% menos que no mesmo período de 2025. A China caiu para 3,40% da pauta maranhense, com US$ 85,3 milhões, contra US$ 137,9 milhões um ano antes.
O contraste entre as duas métricas do ComexStat explica quase tudo. Em valor, o Maranhão é o 12º estado importador do país. Em tonelagem, é o 8º, com 10,5 bilhões de quilos desembarcados em 2025. Traduzindo: entra volume, e o volume vale pouco por quilo.
US$ 0,45/kg
valor médio do quilo importado pelo Maranhão em 2025, contra US$ 1,50/kg na média brasileira. Fonte: MDIC / ComexStat (cálculo Heyship).
Um quilo importado pelo Maranhão vale um terço de um quilo importado pelo Brasil. Isso não é defeito do estado, é consequência da pauta: granel líquido e sólido, que chega por navio, ocupa porão e resolve custo de energia e de lavoura. É importação de insumo, não de produto.
A implicação prática é direta. Quem compra commodity importa preço internacional e não tem alavanca nenhuma sobre a margem: o Brent e a cotação do potássio decidem por você. Quem compra produto acabado, componente ou máquina escolhe fornecedor, escolhe especificação, escolhe marca, e aí sim decide margem. É essa segunda conversa que quase não existe no Maranhão hoje, e é ela que abre espaço para empresa média.
“Quem importa commodity herda a margem do mercado. Quem importa produto escolhe a dele.”
A palestra não abriu falando de China. Abriu com uma pergunta para a plateia: qual desses quatro é o seu problema hoje, mais receita, mais margem, mais clientes ou mais retenção? Cada um deles ganhou um caso concreto de importação, com número documentado.

Em perspectiva: nenhum desses casos começou com a pergunta “vale a pena importar da China?”. Todos começaram com um problema de negócio. A origem foi consequência, e o processo, sempre o mesmo: estudo de mercado, sourcing, simulação de custo, negociação, validação de fornecedor, amostra, pagamento, inspeção, embarque, desembaraço e novo pedido. Onze etapas em que dá para errar caro, e onde a maior parte do prejuízo se concentra em duas: a simulação, que é onde se descobre que o produto não fecha, e a validação de fornecedor, que é onde se perde dinheiro de verdade.
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Simule o custo total de importação com NCM, tributos, frete e ICMS do seu estado. A conta que decide se vale a pena importar leva minutos, não semanas.
O tema central do Maranhão Mais Negócios 2026 tem efeito direto sobre importação. A Emenda Constitucional 132/2023 substitui PIS e COFINS pela CBS, federal, e ICMS e ISS pelo IBS, de estados e municípios, com Imposto Seletivo sobre itens específicos. Ambos incidem também na entrada de bens importados.
Três pontos importam para quem compra do exterior. Primeiro, 2026 é ano de teste, com alíquotas simbólicas de CBS e IBS que servem para calibrar sistema e obrigação acessória. Segundo, o modelo é de crédito amplo e não cumulativo, o que muda a conta de quem hoje acumula resíduo tributário na cadeia. Terceiro, e mais relevante para o Maranhão, o IBS é cobrado no destino, o que reduz o valor de escolher um estado apenas pelo benefício de ICMS na importação.
Na prática, a decisão de por onde nacionalizar volta a ser logística e operacional, não fiscal. Para o importador maranhense, isso é notícia boa: o produto passa a ser desembaraçado onde faz sentido para a operação. Quem monta a simulação com o regime antigo e a leva para 2027 sem revisar vai errar a margem. Vale rever as premissas de cálculo do custo de importação ainda em 2026.
As quatro empresas que subiram ao palco em São Luís olham a importação de quatro ângulos. A Guelcos opera: são mais de 6.000 containers acompanhados, do sourcing ao desembaraço, com escritório próprio em Wuhan, na China. A GForce ensina. A Canton Fair Experience leva empresários brasileiros à maior feira de fornecedores do mundo. E a Heyship mede.
Na plataforma, o importador simula custo total por NCM com tributo, frete e ICMS estadual, consulta dados oficiais de importação por produto e origem, e monta comparativo de fornecedores antes de mandar o primeiro dólar. É o mesmo dado do ComexStat que sustenta este artigo, só que aplicado ao seu produto e ao seu CNPJ. Se você está no Maranhão e quer sair da pauta de commodity, é por aí que começa: teste a plataforma por 7 dias, sem cartão.
Se quiser aprofundar a leitura de dados, veja também a análise das importações brasileiras de julho de 2026, o panorama consolidado em Importações Brasil 2026 e o passo a passo de como importar da China em 2026. Para eventos, temos também a cobertura da Heyship no Web Summit Rio 2026.
Empresas com CNPJ no Maranhão importaram US$ 4,76 bilhões em 2025, segundo o ComexStat do MDIC. Isso equivale a 1,70% do total nacional e coloca o estado na 12ª posição em valor. Em peso, foram 10,5 bilhões de quilos, o 8º maior volume do país.
Combustível e fertilizante. O óleo diesel (NCM 2710.19.21) sozinho respondeu por 56,91% do valor importado pelo estado em 2025, e a gasolina por mais 6,53%. Somados os fertilizantes, como cloreto de potássio, superfosfatos, ureia e MAP, os dois grupos chegam a cerca de 88% da pauta maranhense.
A China foi a terceira origem do Maranhão em 2025, com US$ 289,3 milhões e 6,08% da pauta estadual, atrás de Estados Unidos (50,91%) e Rússia (15,73%). É bem abaixo dos 25,31% que a China representou nas importações brasileiras no mesmo ano. Em 2026, até julho, a participação chinesa no estado caiu para 3,40%.
É o encontro empresarial promovido pela Associação Comercial do Maranhão, realizado em 12 de agosto de 2026 em São Luís, dentro da programação dos 172 anos da entidade. O tema foi “Reforma Tributária: Riscos e Oportunidades”, com painel da CACB e da SEFAZ-MA, apresentação de investimentos do Governo do Estado e da Prefeitura, palestra da Guelcos International sobre negócios com a China e rodada de negócios entre compradores e fornecedores.
Muda a estrutura. CBS e IBS passam a incidir sobre bens e serviços importados no lugar de PIS, COFINS e ICMS, com crédito amplo e não cumulativo, e o IBS é devido no destino. Isso reduz o peso do benefício estadual de ICMS na escolha do local de nacionalização e exige refazer as simulações de custo antes da transição avançar.
O Maranhão já sabe importar: são 10,5 bilhões de quilos por ano entrando pelo estado. O que ainda não virou rotina é importar aquilo que dá para escolher, precificar e transformar em margem. A distância entre uma coisa e outra não é geográfica, é de informação.
Escrito por
Vinicius Alves Marques - Founder
Empreendedor experiente em comércio internacional, com foco em otimização de processos e automação logística. Fundou a primeira empresa na China em 2012.
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