Importações do Maranhão: US$ 4,8 bi e 6% da China | Heyship
Heyship na Mídia 17 de agosto de 2026 · 12 min de leitura

Importações do Maranhão: US$ 4,8 bi em 2025 e só 6% da China

A Heyship e a Guelcos subiram ao palco do Maranhão Mais Negócios 2026, a convite da Associação Comercial do Maranhão. Os dados do ComexStat explicam por que o estado importa volume e pouco valor, e onde está a oportunidade para o empresário maranhense.

Vinicius Alves Marques - Founder

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Founder na Heyship

Importações do Maranhão em pauta: Vinícius Alves Marques na palestra Negócios Além da Muralha no Maranhão Mais Negócios 2026

As importações do Maranhão somaram US$ 4,76 bilhões em 2025, o equivalente a 1,70% de tudo que o Brasil comprou do exterior no ano. Em peso, porém, o estado responde por 5,62% da carga importada pelo país. Essa distância entre valor e tonelagem é a fotografia mais honesta da economia maranhense hoje, e foi o ponto de partida da palestra que a Guelcos e a Heyship levaram ao Maranhão Mais Negócios 2026, no dia 12 de agosto, em São Luís.

O evento é a principal iniciativa de conexão empresarial da Associação Comercial do Maranhão (ACM), que completou 172 anos em 2026. O tema deste ano foi “Reforma Tributária: Riscos e Oportunidades”, com painel da CACB e da SEFAZ-MA pela manhã, e a palestra “Negócios Além da Muralha”, da Guelcos International, à tarde, seguida da rodada de negócios.

Por que isso importa: 88% do que o Maranhão importa é combustível ou fertilizante, insumo de baixo valor agregado e margem definida lá fora. A parcela que sobra, menos de US$ 600 milhões por ano, é onde cabe tudo que uma empresa maranhense pode importar para crescer: máquina, equipamento, marca própria, produto de prateleira.

O convite da Associação Comercial do Maranhão

O convite veio da ACM por meio do empresário André Cutrim de Mendonça, do Lavamatic Group S/A, um dos patrocinadores do evento. Não é um nome novo nessa conversa: André integrou a diretoria da Associação Comercial do Maranhão e já organizou missão empresarial de maranhenses à China antes de a pauta virar consenso no país.

Foram 20 minutos de palco, das 14h, para uma plateia de empresários, entidades e representantes do Governo do Estado e da Prefeitura de São Luís. O recado foi montado de trás para frente: começar pelo que toda empresa quer (receita, margem, clientes, retenção), provar com casos reais de importação e só depois explicar por que a China entra na conta.

Palestra sobre importações do Maranhão no palco do Maranhão Mais Negócios 2026, da Associação Comercial do Maranhão
Palestra “Negócios Além da Muralha” no Maranhão Mais Negócios 2026, em São Luís. Fonte: arquivo Heyship.

Os números das importações do Maranhão

Antes de falar de China, vale olhar o que o estado realmente compra. Os dados abaixo vêm do ComexStat, base oficial do MDIC, e usam a UF de destino, que é o estado do CNPJ do importador, não o local físico de desembarque da mercadoria.

# NCM Produto Categoria US$ M % do total
1 2710.19.21 Gasóleo (óleo diesel) ⛽ Combustível 2.707,6 56,91%
2 3104.20.90 Cloreto de potássio 🌾 Fertilizante 358,6 7,54%
3 2710.12.59 Gasolina (exceto aviação) ⛽ Combustível 310,7 6,53%
4 3103.19.00 Superfosfatos 🌾 Fertilizante 183,8 3,86%
5 3105.59.00 Adubos com nitrogênio e fósforo 🌾 Fertilizante 178,8 3,76%
6 2815.12.00 Soda cáustica em solução 🧪 Químicos 155,9 3,28%
7 3102.10.10 Ureia 🌾 Fertilizante 120,9 2,54%
8 3103.11.00 Superfosfato com 35%+ de P2O5 🌾 Fertilizante 119,2 2,51%
9 3105.40.00 Fosfato monoamônico (MAP) 🌾 Fertilizante 92,1 1,94%
10 3102.21.00 Sulfato de amônio 🌾 Fertilizante 70,8 1,49%
Top 10 acumulado 4.298,4 90,36%
Top 10 NCMs importadas por empresas com CNPJ no Maranhão em 2025, por valor FOB. Diesel sozinho responde por 56,91% da pauta. Fonte: MDIC / ComexStat (cálculo Heyship).

A leitura por origem confirma o desenho. Enquanto a China respondeu por 25,31% das importações brasileiras em 2025, no Maranhão ela aparece em terceiro lugar, com 6,08%. Estados Unidos e Rússia, os dois grandes fornecedores de diesel e fertilizante, ficam com dois terços da pauta.

Origem US$ M % do MA % do Brasil
Estados Unidos 2.422,4 50,91% 16,11%
Rússia 748,3 15,73% 3,36%
China 289,3 6,08% 25,31%
Índia 237,2 4,99% 2,98%
Egito 168,9 3,55% 0,50%
Cinco maiores origens das importações do Maranhão em 2025, comparadas ao peso de cada país na pauta nacional. Fonte: MDIC / ComexStat (cálculo Heyship).

Em 2026 o desenho não mudou. Entre janeiro e julho, o estado importou US$ 2,51 bilhões, 1,2% menos que no mesmo período de 2025. A China caiu para 3,40% da pauta maranhense, com US$ 85,3 milhões, contra US$ 137,9 milhões um ano antes.

Por que o quilo importado pelo Maranhão vale um terço da média nacional?

O contraste entre as duas métricas do ComexStat explica quase tudo. Em valor, o Maranhão é o 12º estado importador do país. Em tonelagem, é o 8º, com 10,5 bilhões de quilos desembarcados em 2025. Traduzindo: entra volume, e o volume vale pouco por quilo.

US$ 0,45/kg

valor médio do quilo importado pelo Maranhão em 2025, contra US$ 1,50/kg na média brasileira. Fonte: MDIC / ComexStat (cálculo Heyship).

Um quilo importado pelo Maranhão vale um terço de um quilo importado pelo Brasil. Isso não é defeito do estado, é consequência da pauta: granel líquido e sólido, que chega por navio, ocupa porão e resolve custo de energia e de lavoura. É importação de insumo, não de produto.

A implicação prática é direta. Quem compra commodity importa preço internacional e não tem alavanca nenhuma sobre a margem: o Brent e a cotação do potássio decidem por você. Quem compra produto acabado, componente ou máquina escolhe fornecedor, escolhe especificação, escolhe marca, e aí sim decide margem. É essa segunda conversa que quase não existe no Maranhão hoje, e é ela que abre espaço para empresa média.

“Quem importa commodity herda a margem do mercado. Quem importa produto escolhe a dele.”

Os quatro objetivos que a importação resolve

A palestra não abriu falando de China. Abriu com uma pergunta para a plateia: qual desses quatro é o seu problema hoje, mais receita, mais margem, mais clientes ou mais retenção? Cada um deles ganhou um caso concreto de importação, com número documentado.

  • Mais receita: indústria de mineração de areia, com 40 anos de mercado, importou pela primeira vez uma planta completa de britagem e classificação. Foram 12 containers em um ano, mais de US$ 500 mil em equipamentos, e a expansão da planta já em andamento.
  • Mais margem: a A.Yoshii Engenharia, incorporadora com quase 60 anos de mercado, nunca tinha importado grua. Depois de mais de 40 cotações, checagem de idoneidade em todos os fornecedores e auditoria de fábrica, fechou o equipamento mais de 50% abaixo do preço nacional, com 6 containers e 126 peças distintas de estrutura chegando sem retrabalho de montagem.
  • Mais clientes: um distribuidor de eletrodomésticos vivia de revender marca de terceiro e disputava licitação sem diferencial. Desenvolveu marca própria de ar-condicionado split via OEM e tirou o INMETRO do zero em 8 meses, com 4 SKUs aprovados de primeira. Passou a competir com marcas globais usando produto dele.
  • Mais retenção: aqui o exemplo apresentado foi ilustrativo, não um cliente da Guelcos. Uma loja que revende purificador de água genérico perde a recompra do refil para qualquer concorrente, porque o encaixe é padrão de mercado. Importar um modelo com refil proprietário transforma a troca periódica em receita recorrente da própria loja, mesma lógica de impressora e cartucho.
Case de importação de gruas apresentado na palestra sobre importações do Maranhão na ACM
Case de otimização logística apresentado no palco: gruas e guindastes importados mais de 50% abaixo do preço nacional. Fonte: arquivo Heyship.

Em perspectiva: nenhum desses casos começou com a pergunta “vale a pena importar da China?”. Todos começaram com um problema de negócio. A origem foi consequência, e o processo, sempre o mesmo: estudo de mercado, sourcing, simulação de custo, negociação, validação de fornecedor, amostra, pagamento, inspeção, embarque, desembaraço e novo pedido. Onze etapas em que dá para errar caro, e onde a maior parte do prejuízo se concentra em duas: a simulação, que é onde se descobre que o produto não fecha, e a validação de fornecedor, que é onde se perde dinheiro de verdade.

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Reforma tributária e importação: o que muda para quem compra fora

O tema central do Maranhão Mais Negócios 2026 tem efeito direto sobre importação. A Emenda Constitucional 132/2023 substitui PIS e COFINS pela CBS, federal, e ICMS e ISS pelo IBS, de estados e municípios, com Imposto Seletivo sobre itens específicos. Ambos incidem também na entrada de bens importados.

Três pontos importam para quem compra do exterior. Primeiro, 2026 é ano de teste, com alíquotas simbólicas de CBS e IBS que servem para calibrar sistema e obrigação acessória. Segundo, o modelo é de crédito amplo e não cumulativo, o que muda a conta de quem hoje acumula resíduo tributário na cadeia. Terceiro, e mais relevante para o Maranhão, o IBS é cobrado no destino, o que reduz o valor de escolher um estado apenas pelo benefício de ICMS na importação.

Na prática, a decisão de por onde nacionalizar volta a ser logística e operacional, não fiscal. Para o importador maranhense, isso é notícia boa: o produto passa a ser desembaraçado onde faz sentido para a operação. Quem monta a simulação com o regime antigo e a leva para 2027 sem revisar vai errar a margem. Vale rever as premissas de cálculo do custo de importação ainda em 2026.

Como a Heyship ajuda

As quatro empresas que subiram ao palco em São Luís olham a importação de quatro ângulos. A Guelcos opera: são mais de 6.000 containers acompanhados, do sourcing ao desembaraço, com escritório próprio em Wuhan, na China. A GForce ensina. A Canton Fair Experience leva empresários brasileiros à maior feira de fornecedores do mundo. E a Heyship mede.

Na plataforma, o importador simula custo total por NCM com tributo, frete e ICMS estadual, consulta dados oficiais de importação por produto e origem, e monta comparativo de fornecedores antes de mandar o primeiro dólar. É o mesmo dado do ComexStat que sustenta este artigo, só que aplicado ao seu produto e ao seu CNPJ. Se você está no Maranhão e quer sair da pauta de commodity, é por aí que começa: teste a plataforma por 7 dias, sem cartão.

Para saber mais

  • ComexStat (MDIC), base oficial das estatísticas de comércio exterior brasileiro, com filtro por UF, NCM, país e mês.
  • MDIC, ministério responsável pela política de comércio exterior e pelas séries usadas nas tabelas deste artigo.
  • Emenda Constitucional 132/2023, texto integral da reforma tributária, incluindo o tratamento das operações de importação.
  • Receita Federal, regras de habilitação, despacho aduaneiro e tributos incidentes na importação.
  • Associação Comercial do Maranhão, entidade que organiza o Maranhão Mais Negócios e a rodada de negócios do evento.

Se quiser aprofundar a leitura de dados, veja também a análise das importações brasileiras de julho de 2026, o panorama consolidado em Importações Brasil 2026 e o passo a passo de como importar da China em 2026. Para eventos, temos também a cobertura da Heyship no Web Summit Rio 2026.

Perguntas Frequentes

Quanto o Maranhão importou em 2025?

Empresas com CNPJ no Maranhão importaram US$ 4,76 bilhões em 2025, segundo o ComexStat do MDIC. Isso equivale a 1,70% do total nacional e coloca o estado na 12ª posição em valor. Em peso, foram 10,5 bilhões de quilos, o 8º maior volume do país.

O que o Maranhão mais importa?

Combustível e fertilizante. O óleo diesel (NCM 2710.19.21) sozinho respondeu por 56,91% do valor importado pelo estado em 2025, e a gasolina por mais 6,53%. Somados os fertilizantes, como cloreto de potássio, superfosfatos, ureia e MAP, os dois grupos chegam a cerca de 88% da pauta maranhense.

Qual a participação da China nas importações do Maranhão?

A China foi a terceira origem do Maranhão em 2025, com US$ 289,3 milhões e 6,08% da pauta estadual, atrás de Estados Unidos (50,91%) e Rússia (15,73%). É bem abaixo dos 25,31% que a China representou nas importações brasileiras no mesmo ano. Em 2026, até julho, a participação chinesa no estado caiu para 3,40%.

O que foi o Maranhão Mais Negócios 2026?

É o encontro empresarial promovido pela Associação Comercial do Maranhão, realizado em 12 de agosto de 2026 em São Luís, dentro da programação dos 172 anos da entidade. O tema foi “Reforma Tributária: Riscos e Oportunidades”, com painel da CACB e da SEFAZ-MA, apresentação de investimentos do Governo do Estado e da Prefeitura, palestra da Guelcos International sobre negócios com a China e rodada de negócios entre compradores e fornecedores.

A reforma tributária muda o custo de importar?

Muda a estrutura. CBS e IBS passam a incidir sobre bens e serviços importados no lugar de PIS, COFINS e ICMS, com crédito amplo e não cumulativo, e o IBS é devido no destino. Isso reduz o peso do benefício estadual de ICMS na escolha do local de nacionalização e exige refazer as simulações de custo antes da transição avançar.

Moral da história

O Maranhão já sabe importar: são 10,5 bilhões de quilos por ano entrando pelo estado. O que ainda não virou rotina é importar aquilo que dá para escolher, precificar e transformar em margem. A distância entre uma coisa e outra não é geográfica, é de informação.

Vinicius Alves Marques - Founder

Escrito por

Vinicius Alves Marques - Founder

Empreendedor experiente em comércio internacional, com foco em otimização de processos e automação logística. Fundou a primeira empresa na China em 2012.

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