Importação Direta vs Conta e Ordem: qual escolher | Heyship
Análise de Mercado 20 de abril de 2026 · 8 min de leitura

Importação Direta, por Conta e Ordem ou por Encomenda: qual escolher?

Importação direta, conta e ordem e por encomenda têm estruturas jurídicas, custos e riscos diferentes. Entenda qual modalidade se encaixa no seu volume de importação e não pague fee desnecessário de trading.

Kleber Fontes

Kleber Fontes

Cofounder na Heyship

importação conta e ordem modalidades comparativo

Três modalidades de importação respondem por mais de 90% das operações registradas no Siscomex. Importação direta, por conta e ordem e por encomenda têm estruturas jurídicas, custos e riscos completamente diferentes — e escolher a errada pode encarecer sua operação em 15% ou travar um desembaraço.

Por que isso importa: A modalidade define quem detém o RADAR, quem assina a DI, quem responde tributariamente e quanto custa a operação. Não é decisão operacional — é decisão estratégica.

O que é importação direta

Na importação direta, a própria empresa compradora realiza todos os atos do processo: habilita o RADAR no Siscomex, registra a Declaração de Importação (DI), paga os tributos e assume a responsabilidade jurídica e fiscal da operação do início ao fim.

É a modalidade mais comum entre empresas de médio e grande porte com volume recorrente de importações. Exige habilitação prévia no RADAR — processo que pode levar de 5 a 90 dias dependendo da modalidade (Expressa, Limitada ou Ilimitada) e do perfil fiscal da empresa.

  • Quem opera: a própria empresa importadora, com ou sem o auxílio de um despachante aduaneiro
  • RADAR: obrigatório — a empresa precisa estar habilitada antes da primeira operação
  • Responsabilidade tributária: 100% da empresa — II, IPI, ICMS, PIS, COFINS recolhidos diretamente
  • Custo operacional: menor no longo prazo — sem margem de trading; apenas honorários do despachante
  • Volume mínimo: não há mínimo legal, mas abaixo de US$ 50 mil/ano o custo de manutenção do RADAR pode não compensar

“Importação direta dá mais controle e menor custo unitário — mas exige capacidade interna para gerir o RADAR, a DI e o relacionamento com a Receita Federal.”

Para entender o custo total de cada operação direta, incluindo tributos, frete e taxa de câmbio, veja o guia de como calcular o custo de importação de um produto.

O que é importação por conta e ordem?

Na importação por conta e ordem de terceiros, uma trading company ou importadora registra a DI em seu nome — mas por ordem expressa e com recursos financeiros de outra empresa (o contratante). A titularidade da mercadoria, desde a origem, é do contratante.

A diferença fundamental em relação à importação direta: quem tem o RADAR é a trading, não o contratante. O contratante não precisa estar habilitado no Siscomex.

  • Quem opera: a trading/importadora em nome do contratante
  • Financiamento: recursos do contratante — a trading não compra a mercadoria, apenas operacionaliza
  • Responsabilidade tributária: solidária — trading e contratante respondem conjuntamente
  • Documentação obrigatória: contrato de prestação de serviços entre trading e contratante; CNPJ do contratante na DI
  • Custo: fee de serviço da trading (geralmente 1% a 3% do valor CIF) + tributos normais
  • Ideal para: empresas sem RADAR que já têm fornecedor definido e recursos para pagar a importação

A Instrução Normativa RFB nº 1.861/2018 regulamenta a conta e ordem e exige que o contrato esteja registrado no Sistema Integrado de Comércio Exterior de Serviços (Siscoserv) quando há remessa de valores ao exterior.

O que é importação por encomenda?

Na importação por encomenda, a trading importa com recursos próprios e revende a mercadoria ao contratante no mercado interno. A diferença-chave em relação à conta e ordem: aqui a trading é proprietária da mercadoria durante todo o processo de importação.

O contratante faz um pedido antecipado (a “encomenda”), mas só adquire juridicamente a mercadoria após o desembaraço, quando a trading emite a nota fiscal de venda no mercado interno.

  • Quem opera: a trading com capital próprio
  • Financiamento: a trading financia a operação — risco de crédito é dela
  • Responsabilidade tributária: exclusiva da trading na importação; do comprador na operação interna
  • Custo: margem comercial da trading (maior que o fee de conta e ordem) + ICMS da operação interna
  • Ideal para: empresas que não têm capital para financiar a importação ou não querem risco cambial

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Comparativo: quando usar cada modalidade

Critério Direta Conta e Ordem Por Encomenda
RADAR necessário Sim (empresa) Não (é da trading) Não (é da trading)
Capital na importação Da empresa Da empresa Da trading
Responsab. tributária 100% empresa Solidária Trading (import.) / Comprador (venda interna)
Custo extra Só despachante Fee 1–3% CIF Margem da trading (maior)
Controle da operação Total Parcial Baixo
Prazo de habilitação 5–90 dias (RADAR) Imediato Imediato
Ideal para Volume recorrente, margem apertada Sem RADAR, com capital próprio Sem RADAR, sem capital

Como escolher para o porte da sua empresa

A decisão não é binária — muitas empresas usam modalidades diferentes conforme o fornecedor, o produto e o momento de caixa.

Empresas iniciantes (menos de US$ 100 mil/ano em importações): comece pela conta e ordem. O custo do fee da trading é menor que o custo de estruturar e manter o RADAR internamente. À medida que o volume cresce, avalie migrar para a direta.

Empresas em crescimento (US$ 100 mil a US$ 500 mil/ano): o ponto de equilíbrio começa a mudar. Com volume acima de US$ 150 mil, o RADAR Limitado se paga rapidamente e o controle da operação direta passa a compensar. Calcule o fee total pago à trading nos últimos 12 meses — geralmente supera o custo de ter o RADAR.

Empresas maduras (mais de US$ 500 mil/ano): importação direta em praticamente todos os casos. O custo do fee de trading em volume alto é expressivo — US$ 500 mil × 2% = R$ 50 mil/ano só em fee, fora o ICMS da operação interna na por encomenda.

2–3%

Fee médio de trading na conta e ordem — sobre o valor CIF total da importação

Se sua empresa ainda não tem RADAR, entenda o processo completo em nosso guia de como habilitar o Radar de Importação. Para o contexto macroeconômico que influencia a decisão de importar agora, veja as 3 tendências do comércio exterior em 2026.

Para saber mais

Moral da história

Modalidade de importação não é detalhe operacional — é estrutura de custo. Empresas que usam conta e ordem por comodidade quando já têm volume para o RADAR direto estão pagando uma taxa que não aparece na nota fiscal, mas sai da margem todo mês.

Perguntas Frequentes

Qual a diferença entre importação por conta e ordem e por encomenda?

Na conta e ordem, a trading opera com recursos do contratante — a mercadoria pertence ao contratante desde a origem. Na por encomenda, a trading usa capital próprio e compra a mercadoria para si, revendendo ao contratante após o desembaraço via nota fiscal interna. A diferença tributária é relevante: na encomenda há ICMS da operação interna que não existe na conta e ordem.

Posso fazer importação direta sem ter RADAR?

Não. A habilitação no RADAR Siscomex é obrigatória para registrar qualquer Declaração de Importação formal. Sem RADAR, a única alternativa de fazer a importação sem o intermediário é a modalidade simplificada (até US$ 3.000 por operação), que dispensa o RADAR. Acima desse valor, é necessário ter RADAR ou usar uma trading.

Quanto tempo leva para habilitar o RADAR para importação direta?

A modalidade Expressa (até US$ 50 mil por semestre) leva de 5 a 10 dias úteis. A Limitada (até US$ 50 mil ou US$ 150 mil por semestre, dependendo do faturamento) pode levar de 15 a 30 dias. A Ilimitada exige análise mais aprofundada e pode chegar a 90 dias. Em todos os casos, o processo é feito pelo Portal Único Siscomex e exige regularidade fiscal completa (CNPJ, IRPJ, CSLL, contribuições previdenciárias).

A importação por conta e ordem exige contrato formal?

Sim. A IN RFB 1.861/2018 exige que o contrato de prestação de serviços entre a trading e o contratante seja formalizado e que o CNPJ do contratante conste na DI. Operar conta e ordem sem contrato formal configura simulação e pode levar ao perdimento da mercadoria pela Receita Federal. O contrato também é necessário para fins de creditamento de PIS/COFINS e apuração de ICMS.

Qual modalidade é mais barata para quem importa regularmente?

Para volume acima de US$ 150 mil/ano, a importação direta é quase sempre mais barata. O fee de uma trading na conta e ordem (1–3% do CIF) sobre esse volume representa R$ 9 mil a R$ 27 mil anuais — suficiente para pagar um despachante dedicado com margem sobrar. Na por encomenda, o custo adicional é ainda maior porque inclui a margem da trading e o ICMS da operação interna.

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Kleber Fontes

Especialista do setor no Grupo Casco, com amplo conhecimento em desembaraço aduaneiro e logística internacional, oferecendo insights estratégicos e excelência operacional.

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