30 abr 2026
O LMI de março registrou capacidade em 39,2 e precificação em 89,4 — inversão de 50 pontos percentuais, a maior desde novembro de 2021. O que os dados revelam para o importador brasileiro.
Vinicius Alves Marques - Founder
Founder na Heyship
O Logistics Managers’ Index (LMI) de março de 2026 registrou capacidade de transporte em 39,2 e precificação em 89,4 — uma inversão de 50,2 pontos percentuais, a maior desde novembro de 2021. A última vez que o mercado de frete viu esse nível de distorção entre oferta e preço foi no auge do boom pandêmico. O importador brasileiro que ainda calcula frete com base nos números de 2024 está orçando errado.
A capacidade contraiu pelo quarto mês consecutivo. Os preços saltaram 12,7 pontos em março — a alta mais rápida desde março de 2022. E a previsão dos gestores para os próximos 12 meses é ainda mais restritiva: capacidade em 34,9, utilização em 67,9 e precificação em 93.
Por que isso importa: frete não é um custo fixo — é uma variável que comprime ou expande a margem do importador conforme o mercado. Quando o LMI de precificação ultrapassa 89, cada contêiner negociado sem dados atualizados é dinheiro deixado na mesa.
O Logistics Managers’ Index é uma pesquisa mensal com executivos de supply chain americanos. Leituras acima de 50 indicam expansão; abaixo de 50, contração. Em março de 2026, os dois extremos do espectro estavam operando simultaneamente.
O dado mais revelador está na segunda quinzena de março: a precificação pulou de 81,9 para 94 em duas semanas. No mesmo período, a capacidade caiu de 44,4 para 36. A aceleração não foi gradual — foi um salto.
LMI — Capacidade vs. Precificação de Transporte (Mar/2026) — Fonte: Logistics Managers’ Index / FreightWaves
Dois fatores distintos convergiram em março e se reforçam mutuamente.
O primeiro é a guerra no Irã. O conflito elevou o custo do diesel, restringiu rotas marítimas e criou volatilidade nos prazos de entrega — tudo isso reduz a eficiência operacional da frota disponível sem tirar caminhões ou navios de circulação.
O segundo é regulatório, e está sendo subestimado. Nos Estados Unidos, uma série de medidas entrou em vigor simultaneamente: exigência de proficiência em inglês para motoristas de caminhão, restrições a CNHs de não-domiciliados, fiscalização de provedores de ELD (sistemas de rastreamento obrigatório) e fechamento forçado de escolas de motoristas que operavam fora do padrão. O efeito prático foi uma redução relevante no pool de motoristas disponíveis — sem nenhum aviso prévio ao mercado.
Empresas com menos de 1.000 funcionários registraram LMI de precificação em 92,7 — 8 pontos acima das grandes empresas. Pequenos operadores estão sendo comprimidos com mais força.
A combinação é incomum: normalmente ou há choque de demanda (como em 2020-2021) ou há choque regulatório. Ter os dois ao mesmo tempo reduz a capacidade de absorção do mercado.
A pesquisa do LMI coleta não apenas o momento presente, mas as expectativas para os próximos 12 meses. Os números são inequívocos:
| Indicador | Mar/2026 (atual) | Projeção 12 meses |
|---|---|---|
| Capacidade de transporte | 39,2 | ▼ 34,9 |
| Utilização | 62,9 | ▲ 67,9 |
| Precificação | 89,4 | ▲ 93,0 |
Capacidade cai mais. Preços sobem mais. Utilização sobe. É o cenário de maior pressão possível sobre o custo de frete — e os profissionais que estão dentro do mercado esperam que piore antes de melhorar.
O LMI mede o mercado americano, mas o mecanismo de transmissão para o Brasil é direto. Frete spot nos EUA é referência global para contratos de ocean freight. Quando transportadoras americanas elevam tarifas para absorver custos, as armadoras internacionais ajustam suas tabelas na mesma direção — especialmente em rotas transpacíficas e transatlânticas que passam pelos principais portos brasileiros.
O impacto prático: o custo de importação sobe antes que o importador perceba. Quem negocia contratos anuais fechados em 2025 com base nas tarifas de então está pagando a diferença na margem. Quem opera no spot está vendo as cotações subirem semana a semana.
Para entender como o frete entra no cálculo total de uma operação de importação, vale revisar como calcular o custo de importação de um produto — o frete internacional é uma das variáveis de maior impacto e menor previsibilidade no modelo. No contexto atual de diversificação de rotas e fornecedores, entender o novo mapa global de sourcing ajuda a identificar alternativas menos expostas a esses choques de capacidade.
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Testar gratuitamente →O LMI é uma pesquisa mensal conduzida com executivos de supply chain nos EUA que mede a expansão ou contração de oito variáveis logísticas — incluindo capacidade de transporte, precificação e estoques. Leituras acima de 50 indicam expansão; abaixo de 50, contração. É um dos principais indicadores antecipados do mercado de frete global, amplamente acompanhado por importadores e exportadores ao redor do mundo.
A combinação de dois fatores simultâneos: o conflito no Irã elevou o custo operacional das transportadoras e criou volatilidade nas rotas, enquanto medidas regulatórias nos EUA (restrições a motoristas estrangeiros, fechamento de escolas de CDL, fiscalização de ELD) reduziram abruptamente o pool de capacidade disponível. O efeito foi amplificado porque os dois choques ocorreram ao mesmo tempo, sem tempo para absorção pelo mercado.
O frete spot nos EUA serve de referência para contratos de ocean freight em rotas globais. Quando as transportadoras americanas elevam tarifas, as armadoras internacionais ajustam suas tabelas nas rotas transpacíficas e transatlânticas — que incluem os principais portos brasileiros (Santos, Paranaguá, Rio de Janeiro). O importador brasileiro sente o impacto especialmente em cargas vindas da Ásia e da Europa com conexão nos EUA.
Os próprios executivos de supply chain projetam piora: capacidade caindo para 34,9 (abaixo dos já contracionistas 39,2 de março), precificação subindo para 93. A expectativa é de que o mercado permaneça muito restrito enquanto persistirem os fatores regulatórios e enquanto o conflito no Oriente Médio não tiver resolução clara. Importadores devem incluir essa variável nos planejamentos de 2026.
Os mais expostos são aqueles com alta dependência de importações marítimas: eletrônicos, insumos industriais, produtos químicos, têxteis e componentes automotivos. Setores que operam com margens apertadas e volumes altos sentem o impacto mais rápido. Para avaliar o nível de exposição da sua operação, veja os 14 pontos de atenção para o importador em 2026.
Frete em 89,4 de precificação com capacidade em 39,2 não é anomalia — é o mercado dizendo que quem não revisou seus contratos de transporte nos últimos 90 dias está operando com números velhos. Dado desatualizado em supply chain não é neutro: é prejuízo que ainda não apareceu no P&L.
Escrito por
Vinicius Alves Marques - Founder
Empreendedor experiente em comércio internacional, com foco em otimização de processos e automação logística. Fundou a primeira empresa na China em 2012.
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