07 ago 2026
Brasil importou US$ 27,05 bi em julho/2026 (+2,05% MoM). Elétricos chineses despencaram 96,9% com o imposto de 35% em vigor, derrubando a China para a pior participação do ano (-5,71pp). Diesel voltou a subir 156% MoM.
Vinicius Alves Marques - Founder
Founder na Heyship
As importações Brasil julho 2026 somaram US$ 27,05 bilhões — alta de 2,05% sobre junho e de 7,64% sobre julho/2025. Mas o dado que define o mês é um colapso: os elétricos e híbridos chineses despencaram 96,9% em 30 dias (de US$ 2,11 bi para US$ 66 milhões), derrubando a China para sua pior participação do ano.
Em maio, esta série já avisava: “espere uma queda nas importações de elétricos no 2º semestre, quando o imposto de 35% entrar em vigor”. Julho é o primeiro mês do 2º semestre — e a queda veio exatamente como prevista, só que mais violenta do que qualquer projeção razoável sugeria. China caiu de 29,43% para 23,72% das importações (-5,71pp, a maior queda mensal da série em 2026), enquanto os EUA saltaram para 2º fornecedor com folga (+2,73pp) e o diesel voltou a disparar (+156% MoM), sem o dedo da Rússia dessa vez. Por que isso importa: quem extrapolou o crescimento de junho como tendência ignorou um calendário tarifário público — e foi pego de surpresa por uma queda que já estava marcada no calendário.
Terceiro mês seguido sem outlier (nenhuma NCM passou de 10% do total) — como em maio e junho. Sem distorção pontual, o que sobra é a política tarifária mudando o comportamento de compra em tempo real: quando o custo de importar um elétrico chinês salta 35 pontos percentuais da noite pro dia, o comprador simplesmente para de comprar.
Três movimentos relevantes — um previsto que se confirmou, um consequência direta, um novo.
| País | Valor (US$ bi) | Jul/2026 | Jun/2026 | Variação |
|---|---|---|---|---|
| 🇨🇳 China | 6,42 | 23,72% | 29,43% | −5,71pp ⬇ |
| 🇺🇸 EUA | 4,28 | 15,81% | 13,08% | +2,73pp ⬆ |
| 🇩🇪 Alemanha | 1,41 | 5,21% | 5,45% | −0,24pp |
| 🇦🇷 Argentina | 1,15 | 4,26% | 4,81% | −0,55pp |
| 🇷🇺 Rússia | 0,93 | 3,43% | 3,11% | +0,32pp |
| Top 5 total | 14,19 | 52,43% | 55,88% | −3,45pp |
Eletromobilidade — o colapso em 3 meses (US$ milhões)
Maio (pico) → Junho (liderança) → Julho (imposto de 35% em vigor)
Eletromobilidade = NCMs 8703.60 (híbrido plug-in) + 8703.80 (100% elétrico) + 8703.40 (híbrido). Em julho, os três somados equivalem a 0,24% do total importado no mês — eram 7,94% em junho. Fonte: MDIC / ComexStat (cálculo Heyship).
Elétricos e híbridos somaram apenas US$ 66 milhões em julho, ante US$ 2,11 bilhões em junho — queda de 96,9%. O híbrido plug-in (8703.60), que era o maior NCM individual do país em junho (US$ 1,08 bi), caiu para US$ 11 milhões. Não é ruído: é o Imposto de Importação de até 35% sobre elétricos entrando em vigor exatamente como o calendário tributário previa desde maio.
China caiu de 29,43% para 23,72% (-5,71pp) — maior queda mensal de participação da série em 2026, com recuo de 17,7% em valor absoluto (US$ 7,80 bi → US$ 6,42 bi). A conta fecha: 91% dos elétricos vinham da China, e a categoria sozinha respondia por boa parte do crescimento chinês em maio e junho. Sem ela, a China volta ao patamar pré-eletromobilidade.
O diesel (NCM 2710.19.21) saltou de US$ 481 milhões para US$ 1,23 bilhão — +156,1% MoM, voltando a ser o maior NCM individual do país. Diferente de abril e maio, a Rússia cresceu só 12,6% no mês (+US$ 102 milhões) — não dá conta de explicar um salto de US$ 751 milhões no diesel total. É reabastecimento de fornecedores tradicionais, não geopolítica. Os EUA também surfaram esse movimento: +23,3% em valor, virando 2º fornecedor com folga (15,81%).
A série vinha construindo esse enredo havia dois meses — e julho fechou o arco exatamente como o calendário tributário anunciava.
| Indicador | Maio/2026 | Junho/2026 | Julho/2026 |
|---|---|---|---|
| Eletromobilidade importada | US$ 1,50 bi | US$ 2,11 bi | US$ 66 mi |
| Variação MoM | — | +40,8% | −96,9% |
| Participação da China no total | 28,23% | 29,43% | 23,72% |
Em maio, quando o híbrido plug-in virou o 2º maior NCM do país, esta série escreveu: “parte dessa alta é antecipação tributária. Espere uma queda nas importações de elétricos no 2º semestre, quando o imposto de 35% entrar em vigor.” Junho ainda acelerou (+40,8% MoM) — o front-loading continuou até o último dia possível. Julho é o primeiro mês pós-corte, e o resultado é mais abrupto do que “queda”: é praticamente um desligamento. Quando o custo de nacionalização de um elétrico chinês sobe 35 pontos percentuais de um mês para o outro, não existe meio-termo de demanda — o comprador para de importar até a equação de preço se ajustar.
A lição para quem compra: mudanças tarifárias anunciadas com antecedência não geram ajuste gradual — geram um penhasco. Se seu produto tem alíquota escalonada no calendário, o mês de corte é binário: ou você já nacionalizou antes, ou sua importação para.
| UF de destino | Valor (US$ bi) | Jul/2026 | Posição |
|---|---|---|---|
| São Paulo | 9,16 | 33,88% | 1º |
| Santa Catarina | 3,37 | 12,47% | 2º |
| Paraná | 2,01 | 7,44% | 3º |
| Rio de Janeiro | 1,99 | 7,34% | 4º |
| Amazonas | 1,83 | 6,76% | 5º |
| Top 5 total | 18,36 | 67,89% | — |
UF de destino é o estado do CNPJ do importador — não onde a mercadoria fisicamente desembarca (para isso, ver a tabela de URFs adiante). São Paulo saltou para 33,88% — maior concentração do ano. Amazonas voltou ao Top 5 (6,76%), enquanto o Espírito Santo caiu fora — coerente com a saída do Porto de Vitória do Top 5 de URFs abaixo.
| Modal | Share |
|---|---|
| 🚢 Marítimo | 73,27% |
| ✈️ Aéreo | 21,98% |
| 🚛 Rodoviário | 3,95% |
| Outros (conduto/rede, ferroviário, ficta) | 0,80% |
Top 5 portas de despacho aduaneiro (URFs) em julho:
| URF (porta de entrada física) | UF | Share |
|---|---|---|
| 🚢 Porto de Santos | SP | 24,62% |
| 🚢 Porto de Paranaguá | PR | 6,80% |
| ✈️ Aeroporto de Viracopos | SP | 6,40% |
| 🚢 Itajaí | SC | 5,84% |
| 🚢 Porto de São Francisco do Sul | SC | 5,59% |
| Top 5 total | — | 49,25% |
Santos segue concentrando praticamente 1 em cada 4 dólares importados pelo Brasil. Viracopos se firma como 3ª porta de entrada, puxado pelo aéreo em alta — coerente com farma e eletrônicos de alto valor agregado.
| # | NCM | Descrição | Categoria | US$ M | % total |
|---|---|---|---|---|---|
| 1 | 2710.19.21 | Gasóleo (óleo diesel) | ⛽ Combustível | 1.232 | 4,55% |
| 2 | 2709.00.10 | Óleos brutos de petróleo | ⛽ Combustível | 730 | 2,70% |
| 3 | 3104.20.90 | Cloreto de potássio | 🌾 Fertilizante | 534 | 1,97% |
| 4 | 3002.15.90 | Produtos imunológicos em doses | 💊 Farma | 472 | 1,74% |
| 5 | 2710.12.59 | Outras gasolinas | ⛽ Combustível | 448 | 1,66% |
| 6 | 8704.21.90 | Caminhões a diesel ≤5t | 🚛 Automotivo | 309 | 1,14% |
| 7 | 3105.40.00 | Fosfato monoamônico | 🌾 Fertilizante | 270 | 1,00% |
| 8 | 3004.39.29 | Medicamentos hormonais | 💊 Farma | 257 | 0,95% |
| 9 | 3102.10.10 | Ureia | 🌾 Fertilizante | 251 | 0,93% |
| 10 | 8471.49.00 | Máquinas de processamento de dados | 🏭 Máquinas | 251 | 0,93% |
| Top 10 acumulado | 4.752 | 17,57% | |||
Os top NCMs de julho voltam ao padrão pré-eletromobilidade: combustíveis, fertilizantes e farma dividem o topo, sem nenhum veículo elétrico entre os 10 maiores — reversão completa frente a junho.
O grupo voltou a crescer com força, puxado pelo diesel — sem o componente russo que explicava a alta de abril.
Cloreto de potássio (US$ 534 mi), fosfato monoamônico (US$ 270 mi) e ureia (US$ 251 mi) mantêm o Brasil dependente de insumo agrícola importado — sem alternativa de curto prazo. Farma segue estável em torno de US$ 730 mi/mês.
A categoria que liderou o país em junho caiu para fora do radar em julho. Não é o fim da eletromobilidade importada — é o preço, literalmente, de importar sem nacionalização diante do novo imposto.
Já temos sete meses de 2026 fechados. Julho prova o oposto do caso do diesel russo (que caiu porque nunca foi estrutural): a eletromobilidade caiu porque o preço relativo mudou de política pública, não de demanda — e isso é previsível quando o calendário tarifário é público.
Quem leu maio e ajustou a expectativa para “queda no 2º semestre” acertou a direção. Quem extrapolou o crescimento de junho (+40,8% MoM) como tendência linear levou a maior surpresa negativa do ano. A diferença entre os dois grupos não foi acesso a dados melhores — foi ler o calendário tributário junto com o gráfico.
Quando a tarifa já está no calendário, o gráfico de importação vira um contador regressivo — não uma previsão.
A regra prática: toda vez que houver um calendário tarifário público, trate a data de corte como um evento binário — não como um ponto de inflexão gradual. Modele dois cenários (antes/depois), não uma curva suave.
O colapso da eletromobilidade prova que a mudança na data de corte é abrupta, não gradual. Liste todos os produtos da sua pauta com alíquota escalonada conhecida (Camex, Receita Federal) e marque a data exata de cada mudança — não a data de anúncio.
Com o diesel voltando a subir sem o componente russo, é um bom momento para recotar fornecedores tradicionais — o mercado normalizou depois da distorção de abril-maio.
A queda de -5,71pp da China é quase toda explicada pela eletromobilidade — não é uma queda de competitividade chinesa generalizada. Não trate a China como um bloco único de risco tarifário: categorize sua pauta por tratamento tarifário específico antes de tirar conclusões sobre “dependência da China” como um todo.
7 dias grátis · sem cartão de crédito
A Heyship simula o custo de importação com mudanças de alíquota já sabidas, mostra o impacto exato na sua margem antes da data de corte, e monitora sua exposição por origem e por NCM. Estrutura de risco tarifário visível em 5 minutos.
Testar a Heyship grátis →Julho é o mês em que a política tarifária venceu a tendência de mercado. A eletromobilidade chinesa vinha crescendo havia três meses seguidos — e mesmo assim não sobreviveu a uma mudança de imposto anunciada com antecedência. Não foi a China que perdeu competitividade; foi o preço relativo de um produto específico que mudou de política, de um dia para o outro.
O Brasil importou US$ 27,05 bilhões em julho, alta de 2,05% sobre junho. Quem tratou o crescimento de junho como tendência linear foi pego de surpresa. Quem cruzou o gráfico com o calendário tarifário sabia exatamente o que vinha — e teve dois meses de antecedência para se preparar.
Edições anteriores da série:
Conteúdo relacionado:
Dados oficiais:
Análise baseada em dados oficiais do Comex Stat / MDIC · Período: julho/2026 · Imagem de capa: Rafael Minguet Delgado / Pexels · Publicado em 2026-08-07
Escrito por
Vinicius Alves Marques - Founder
Empreendedor experiente em comércio internacional, com foco em otimização de processos e automação logística. Fundou a primeira empresa na China em 2012.
LinkedIn da HeyshipA Heyship transforma dados de importação em vantagem competitiva para o seu negócio.
Testar grátis