Importações Julho 2026: elétrico chinês despenca 97% | Heyship
Análise de Mercado 07 de agosto de 2026 · 13 min de leitura

Brasil importou US$ 27 bi em julho — elétrico chinês despenca 97%

Brasil importou US$ 27,05 bi em julho/2026 (+2,05% MoM). Elétricos chineses despencaram 96,9% com o imposto de 35% em vigor, derrubando a China para a pior participação do ano (-5,71pp). Diesel voltou a subir 156% MoM.

Vinicius Alves Marques - Founder

Vinicius Alves Marques - Founder

Founder na Heyship

importações brasil julho 2026

As importações Brasil julho 2026 somaram US$ 27,05 bilhões — alta de 2,05% sobre junho e de 7,64% sobre julho/2025. Mas o dado que define o mês é um colapso: os elétricos e híbridos chineses despencaram 96,9% em 30 dias (de US$ 2,11 bi para US$ 66 milhões), derrubando a China para sua pior participação do ano.

Em maio, esta série já avisava: “espere uma queda nas importações de elétricos no 2º semestre, quando o imposto de 35% entrar em vigor”. Julho é o primeiro mês do 2º semestre — e a queda veio exatamente como prevista, só que mais violenta do que qualquer projeção razoável sugeria. China caiu de 29,43% para 23,72% das importações (-5,71pp, a maior queda mensal da série em 2026), enquanto os EUA saltaram para 2º fornecedor com folga (+2,73pp) e o diesel voltou a disparar (+156% MoM), sem o dedo da Rússia dessa vez. Por que isso importa: quem extrapolou o crescimento de junho como tendência ignorou um calendário tarifário público — e foi pego de surpresa por uma queda que já estava marcada no calendário.

Terceiro mês seguido sem outlier (nenhuma NCM passou de 10% do total) — como em maio e junho. Sem distorção pontual, o que sobra é a política tarifária mudando o comportamento de compra em tempo real: quando o custo de importar um elétrico chinês salta 35 pontos percentuais da noite pro dia, o comprador simplesmente para de comprar.


O que mudou em julho

Três movimentos relevantes — um previsto que se confirmou, um consequência direta, um novo.

PaísValor (US$ bi)Jul/2026Jun/2026Variação
🇨🇳 China6,4223,72%29,43%−5,71pp ⬇
🇺🇸 EUA4,2815,81%13,08%+2,73pp ⬆
🇩🇪 Alemanha1,415,21%5,45%−0,24pp
🇦🇷 Argentina1,154,26%4,81%−0,55pp
🇷🇺 Rússia0,933,43%3,11%+0,32pp
Top 5 total14,1952,43%55,88%−3,45pp
Top 5 países de origem das importações brasileiras em julho/2026 vs junho/2026 — variação em pontos percentuais (pp). China teve a maior queda mensal da série em 2026. Fonte: MDIC / ComexStat.

Eletromobilidade — o colapso em 3 meses (US$ milhões)

Maio (pico) → Junho (liderança) → Julho (imposto de 35% em vigor)

Maio
1.495
Junho
2.105
Julho
66

Eletromobilidade = NCMs 8703.60 (híbrido plug-in) + 8703.80 (100% elétrico) + 8703.40 (híbrido). Em julho, os três somados equivalem a 0,24% do total importado no mês — eram 7,94% em junho. Fonte: MDIC / ComexStat (cálculo Heyship).

Mudança 1 (previsto, confirmado): elétricos chineses despencam 97% — o imposto de julho fez o esperado

Elétricos e híbridos somaram apenas US$ 66 milhões em julho, ante US$ 2,11 bilhões em junho — queda de 96,9%. O híbrido plug-in (8703.60), que era o maior NCM individual do país em junho (US$ 1,08 bi), caiu para US$ 11 milhões. Não é ruído: é o Imposto de Importação de até 35% sobre elétricos entrando em vigor exatamente como o calendário tributário previa desde maio.

Mudança 2 (consequência direta): China tem a pior participação do ano

China caiu de 29,43% para 23,72% (-5,71pp) — maior queda mensal de participação da série em 2026, com recuo de 17,7% em valor absoluto (US$ 7,80 bi → US$ 6,42 bi). A conta fecha: 91% dos elétricos vinham da China, e a categoria sozinha respondia por boa parte do crescimento chinês em maio e junho. Sem ela, a China volta ao patamar pré-eletromobilidade.

Mudança 3 (nova): diesel dispara +156% — e dessa vez não é a Rússia

O diesel (NCM 2710.19.21) saltou de US$ 481 milhões para US$ 1,23 bilhão — +156,1% MoM, voltando a ser o maior NCM individual do país. Diferente de abril e maio, a Rússia cresceu só 12,6% no mês (+US$ 102 milhões) — não dá conta de explicar um salto de US$ 751 milhões no diesel total. É reabastecimento de fornecedores tradicionais, não geopolítica. Os EUA também surfaram esse movimento: +23,3% em valor, virando 2º fornecedor com folga (15,81%).


Por que os elétricos chineses despencaram 97% em um mês?

A série vinha construindo esse enredo havia dois meses — e julho fechou o arco exatamente como o calendário tributário anunciava.

IndicadorMaio/2026Junho/2026Julho/2026
Eletromobilidade importadaUS$ 1,50 biUS$ 2,11 biUS$ 66 mi
Variação MoM+40,8%−96,9%
Participação da China no total28,23%29,43%23,72%
Trajetória da eletromobilidade importada e da participação chinesa — pico em junho, colapso em julho com a entrada em vigor do imposto de até 35%. Fonte: MDIC / ComexStat.

Em maio, quando o híbrido plug-in virou o 2º maior NCM do país, esta série escreveu: “parte dessa alta é antecipação tributária. Espere uma queda nas importações de elétricos no 2º semestre, quando o imposto de 35% entrar em vigor.” Junho ainda acelerou (+40,8% MoM) — o front-loading continuou até o último dia possível. Julho é o primeiro mês pós-corte, e o resultado é mais abrupto do que “queda”: é praticamente um desligamento. Quando o custo de nacionalização de um elétrico chinês sobe 35 pontos percentuais de um mês para o outro, não existe meio-termo de demanda — o comprador para de importar até a equação de preço se ajustar.

A lição para quem compra: mudanças tarifárias anunciadas com antecedência não geram ajuste gradual — geram um penhasco. Se seu produto tem alíquota escalonada no calendário, o mês de corte é binário: ou você já nacionalizou antes, ou sua importação para.


Top 5 estados que mais importaram em julho — SP lidera com 33,88%

UF de destinoValor (US$ bi)Jul/2026Posição
São Paulo9,1633,88%
Santa Catarina3,3712,47%
Paraná2,017,44%
Rio de Janeiro1,997,34%
Amazonas1,836,76%
Top 5 total18,3667,89%
Top 5 estados brasileiros por valor importado em julho/2026 — UF é o estado do CNPJ do importador. Fonte: MDIC / ComexStat.

UF de destino é o estado do CNPJ do importador — não onde a mercadoria fisicamente desembarca (para isso, ver a tabela de URFs adiante). São Paulo saltou para 33,88% — maior concentração do ano. Amazonas voltou ao Top 5 (6,76%), enquanto o Espírito Santo caiu fora — coerente com a saída do Porto de Vitória do Top 5 de URFs abaixo.


Modais e portas de despacho — marítimo lidera com 73,27%

ModalShare
🚢 Marítimo73,27%
✈️ Aéreo21,98%
🚛 Rodoviário3,95%
Outros (conduto/rede, ferroviário, ficta)0,80%
Distribuição das importações brasileiras de julho/2026 por modal de transporte (valor FOB). O aéreo segue acima de 20% pelo 3º mês seguido. Fonte: MDIC / ComexStat.

Top 5 portas de despacho aduaneiro (URFs) em julho:

URF (porta de entrada física)UFShare
🚢 Porto de SantosSP24,62%
🚢 Porto de ParanaguáPR6,80%
✈️ Aeroporto de ViracoposSP6,40%
🚢 ItajaíSC5,84%
🚢 Porto de São Francisco do SulSC5,59%
Top 5 total49,25%
Top 5 unidades aduaneiras (URFs) que despacharam o maior valor em julho/2026 — desembaraço físico das mercadorias. O Porto de Vitória (ES) saiu do Top 5 pela primeira vez desde maio. Fonte: MDIC / ComexStat.

Santos segue concentrando praticamente 1 em cada 4 dólares importados pelo Brasil. Viracopos se firma como 3ª porta de entrada, puxado pelo aéreo em alta — coerente com farma e eletrônicos de alto valor agregado.


Dependências estruturais que continuam

#NCMDescriçãoCategoriaUS$ M% total
12710.19.21Gasóleo (óleo diesel)⛽ Combustível1.2324,55%
22709.00.10Óleos brutos de petróleo⛽ Combustível7302,70%
33104.20.90Cloreto de potássio🌾 Fertilizante5341,97%
43002.15.90Produtos imunológicos em doses💊 Farma4721,74%
52710.12.59Outras gasolinas⛽ Combustível4481,66%
68704.21.90Caminhões a diesel ≤5t🚛 Automotivo3091,14%
73105.40.00Fosfato monoamônico🌾 Fertilizante2701,00%
83004.39.29Medicamentos hormonais💊 Farma2570,95%
93102.10.10Ureia🌾 Fertilizante2510,93%
108471.49.00Máquinas de processamento de dados🏭 Máquinas2510,93%
Top 10 acumulado4.75217,57%
Top 10 NCMs (Nomenclatura Comum do Mercosul) por valor FOB importado em julho/2026. Nenhuma eletromobilidade no Top 10 pela primeira vez desde abril — em junho, 3 das 10 posições eram elétricos/híbridos. Fonte: MDIC / ComexStat.

Os top NCMs de julho voltam ao padrão pré-eletromobilidade: combustíveis, fertilizantes e farma dividem o topo, sem nenhum veículo elétrico entre os 10 maiores — reversão completa frente a junho.

⛽ Combustíveis — US$ 2,41 bi em julho (+45% MoM)

  • Gasóleo (diesel): US$ 1,23 bilhão — de volta à liderança
  • Petróleo bruto: US$ 730 milhões
  • Outras gasolinas: US$ 448 milhões

O grupo voltou a crescer com força, puxado pelo diesel — sem o componente russo que explicava a alta de abril.

🌾 Fertilizantes e 💊 farma — US$ 1,78 bi somados

Cloreto de potássio (US$ 534 mi), fosfato monoamônico (US$ 270 mi) e ureia (US$ 251 mi) mantêm o Brasil dependente de insumo agrícola importado — sem alternativa de curto prazo. Farma segue estável em torno de US$ 730 mi/mês.

⚡ Eletromobilidade — de US$ 2,11 bi para US$ 66 milhões

A categoria que liderou o país em junho caiu para fora do radar em julho. Não é o fim da eletromobilidade importada — é o preço, literalmente, de importar sem nacionalização diante do novo imposto.


O custo oculto de confiar em números mensais

Já temos sete meses de 2026 fechados. Julho prova o oposto do caso do diesel russo (que caiu porque nunca foi estrutural): a eletromobilidade caiu porque o preço relativo mudou de política pública, não de demanda — e isso é previsível quando o calendário tarifário é público.

Quem leu maio e ajustou a expectativa para “queda no 2º semestre” acertou a direção. Quem extrapolou o crescimento de junho (+40,8% MoM) como tendência linear levou a maior surpresa negativa do ano. A diferença entre os dois grupos não foi acesso a dados melhores — foi ler o calendário tributário junto com o gráfico.

Quando a tarifa já está no calendário, o gráfico de importação vira um contador regressivo — não uma previsão.

A regra prática: toda vez que houver um calendário tarifário público, trate a data de corte como um evento binário — não como um ponto de inflexão gradual. Modele dois cenários (antes/depois), não uma curva suave.


Três ações práticas para esta semana

1. Se seu produto tem calendário tarifário público, marque a data de corte agora

O colapso da eletromobilidade prova que a mudança na data de corte é abrupta, não gradual. Liste todos os produtos da sua pauta com alíquota escalonada conhecida (Camex, Receita Federal) e marque a data exata de cada mudança — não a data de anúncio.

2. Reavalie fornecedores de diesel e combustíveis — o mercado voltou ao normal, sem prêmio russo

Com o diesel voltando a subir sem o componente russo, é um bom momento para recotar fornecedores tradicionais — o mercado normalizou depois da distorção de abril-maio.

3. Se você importa da China, isole o que é tarifado de forma diferente do resto da pauta

A queda de -5,71pp da China é quase toda explicada pela eletromobilidade — não é uma queda de competitividade chinesa generalizada. Não trate a China como um bloco único de risco tarifário: categorize sua pauta por tratamento tarifário específico antes de tirar conclusões sobre “dependência da China” como um todo.

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Moral da história

Julho é o mês em que a política tarifária venceu a tendência de mercado. A eletromobilidade chinesa vinha crescendo havia três meses seguidos — e mesmo assim não sobreviveu a uma mudança de imposto anunciada com antecedência. Não foi a China que perdeu competitividade; foi o preço relativo de um produto específico que mudou de política, de um dia para o outro.

O Brasil importou US$ 27,05 bilhões em julho, alta de 2,05% sobre junho. Quem tratou o crescimento de junho como tendência linear foi pego de surpresa. Quem cruzou o gráfico com o calendário tarifário sabia exatamente o que vinha — e teve dois meses de antecedência para se preparar.


Para ir mais fundo

Edições anteriores da série:

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Dados oficiais:


Perguntas Frequentes

Por que os elétricos chineses despencaram 97% em julho/2026?

Elétricos e híbridos caíram de US$ 2,11 bilhões em junho para US$ 66 milhões em julho — queda de 96,9%. O motivo é o Imposto de Importação escalonado sobre veículos elétricos, que chega a 35% para os 100% elétricos a partir de julho/2026. Junho concentrou compras antecipadas (front-loading) antes do corte; julho é o primeiro mês com a alíquota cheia em vigor.

A China perdeu competitividade nas importações brasileiras?

Não de forma generalizada. A China caiu de 29,43% para 23,72% das importações (-5,71pp, a maior queda mensal da série), mas essa queda é quase inteiramente explicada pelo colapso da eletromobilidade — categoria em que a China respondia por cerca de 91% do volume. Fora dos elétricos, a presença chinesa na pauta brasileira segue relativamente estável.

O diesel voltou a subir por causa da Rússia de novo?

Não. O diesel total saltou 156,1% MoM (de US$ 481 milhões para US$ 1,23 bilhão), mas a Rússia cresceu apenas 12,6% no período (+US$ 102 milhões) — não é suficiente para explicar o salto de US$ 751 milhões. Diferente de abril e maio, dessa vez o crescimento veio de fornecedores tradicionais diversos, não de uma origem concentrada.

Os EUA vão se consolidar como 2º maior fornecedor do Brasil?

Os EUA já eram o 2º fornecedor antes de julho — a diferença é a folga: subiram de 13,08% para 15,81% (+2,73pp), crescendo 23,3% em valor absoluto. Parte do movimento reflete a saída de espaço deixado pela China na eletromobilidade e nos combustíveis. A confirmação definitiva, como sempre nesta série, exige pelo menos mais dois meses de dado.

Onde encontro os dados oficiais do ComexStat?

No portal Comex Stat (comexstat.mdic.gov.br) ou diretamente via API pública (api-comexstat.mdic.gov.br). Os dados têm defasagem de 30 a 40 dias entre o fechamento do mês e a disponibilidade. Julho/2026 foi liberado pelo MDIC em 06/08/2026.


Análise baseada em dados oficiais do Comex Stat / MDIC · Período: julho/2026 · Imagem de capa: Rafael Minguet Delgado / Pexels · Publicado em 2026-08-07

Vinicius Alves Marques - Founder

Escrito por

Vinicius Alves Marques - Founder

Empreendedor experiente em comércio internacional, com foco em otimização de processos e automação logística. Fundou a primeira empresa na China em 2012.

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