18 set 2026
As importações do Brasil somaram US$ 25,76 bilhões em agosto/2026, queda de 5,1% sobre julho. O destaque do mês foi a Rússia, que despencou 53,9% em valor e saiu do Top 5 de fornecedores, enquanto a Índia deu o salto mais forte, entrando no Top 5 pela primeira vez em 2026.
Vinicius Alves Marques - Founder
Founder na Heyship
As importações Brasil agosto 2026 somaram US$ 25,76 bilhões: queda de 5,1% sobre julho, mas alta de 9,2% sobre agosto/2025. O dado que define o mês não é o total, é a Rússia: o país despencou 53,9% em valor em 30 dias (de US$ 940 milhões para US$ 434 milhões), saindo do Top 5 de fornecedores pela primeira vez desde abril.
Enquanto a Rússia recuava, dois movimentos compensaram: a China recuperou parte do espaço perdido em julho (+2,02pp, voltando a 25,65%) e a Índia deu o salto mais forte do mês, entrando no Top 5 pela primeira vez em 2026 (+43,4% em valor, de 2,38% para 3,60% de participação). Por que isso importa: quem monta plano de contingência olhando só para “dependência da China” está de olho no fornecedor errado. Em agosto, o fornecedor que sumiu do mapa em 30 dias foi outro.
Quarto mês seguido sem outlier de NCM: nenhuma posição individual passou de 5% do total importado, como em maio, junho e julho. Sem distorção pontual de um produto específico, o retrato de agosto é geográfico: recomposição de fornecedores, não mudança de pauta.
Três movimentos no Top 5 de fornecedores: um recuo abrupto, uma recuperação parcial, uma entrada inédita.
| País | Valor (US$ bi) | Ago/2026 | Jul/2026 | Variação |
|---|---|---|---|---|
| 🇨🇳 China | 6,61 | 25,65% | 23,63% | +2,02pp ⬆ |
| 🇺🇸 EUA | 4,01 | 15,58% | 15,91% | −0,33pp |
| 🇩🇪 Alemanha | 1,41 | 5,48% | 5,19% | +0,28pp |
| 🇦🇷 Argentina | 1,10 | 4,26% | 4,26% | +0,01pp |
| 🇮🇳 Índia | 0,93 | 3,60% | 2,38% | +1,22pp ⬆ |
| Top 5 total | 14,06 | 54,58% | 51,38% | +3,20pp |
Rússia: o colapso em 30 dias (US$ milhões)
Julho (ainda no Top 5) → Agosto (fora do Top 5)
Valor FOB total importado da Rússia por mês. Queda de 53,9% em 30 dias tira o país do Top 5 de fornecedores pela primeira vez desde abril/2026. Fonte: MDIC / ComexStat (cálculo Heyship).
A Rússia caiu de US$ 940 milhões para US$ 434 milhões, queda de 53,9% em um único mês, saindo do Top 5 pela primeira vez desde abril. Em julho, esta série já notava que o diesel voltava a subir “sem o dedo da Rússia” (o país havia crescido só 12,6% naquele mês, enquanto o total do diesel saltava 156%). Agosto confirma a normalização: o fornecedor que dominou a narrativa de abril e maio perde relevância estrutural, não só posição relativa.
Depois da maior queda mensal da série em julho (-5,71pp, puxada pelo fim das compras antecipadas de elétricos), a China voltou a crescer: +2,02pp, para 25,65%. É recuperação parcial, não retorno ao patamar de junho (29,43%) — o corte tarifário sobre elétricos segue em vigor, então o espaço recuperado veio de outras categorias, não de uma volta da eletromobilidade chinesa.
A Índia saltou 43,4% em valor (de US$ 647 milhões para US$ 928 milhões), passando de 2,38% para 3,60% de participação e ocupando a vaga que a Rússia deixou. É a primeira vez que a Índia aparece no Top 5 de fornecedores em qualquer edição desta série em 2026 — até aqui, o país só havia sido citado como alternativa de diversificação de sourcing, nunca como presença efetiva no topo da tabela.
O ComexStat não divulga o motivo por trás de cada variação: só o valor. Mas a magnitude descarta ruído estatístico.
| Indicador | Julho/2026 | Agosto/2026 |
|---|---|---|
| Importado da Rússia | US$ 940 mi | US$ 434 mi |
| Variação MoM | +12,6% | −53,9% |
| Participação no total | 3,46% | 1,68% |
| Posição no ranking de fornecedores | 5º | fora do Top 10 |
Em julho, o diesel voltou a disparar (+156% MoM) sem que a Rússia explicasse o salto: o país cresceu apenas 12,6% naquele mês. O padrão se confirma agora, na direção oposta: quando a Rússia efetivamente recua (-53,9%), o diesel total cai só 3,9% (de US$ 1,23 bi para US$ 1,18 bi). A conclusão prática é a mesma dos últimos dois meses: trate a Rússia como fornecedor marginal de combustível no Brasil, não como variável estrutural — o mercado brasileiro de diesel já demonstrou, em dois meses seguidos, que se equilibra com fornecedores tradicionais independente do que a Rússia faz.
O contraponto é a Índia, que cresceu 43,4% no mesmo período. Sem dado de produto por país nesta edição, a leitura responsável é: a saída da Rússia do Top 5 não criou um vácuo, foi preenchida por recomposição normal de fornecedores, o tipo de ajuste que o ComexStat registra todo mês sem virar manchete, só que desta vez com magnitude grande o suficiente para mudar o ranking.
| UF de destino | Valor (US$ bi) | Ago/2026 | Posição |
|---|---|---|---|
| São Paulo | 8,38 | 32,53% | 1º |
| Santa Catarina | 3,17 | 12,29% | 2º |
| Rio de Janeiro | 2,04 | 7,92% | 3º |
| Paraná | 1,95 | 7,56% | 4º |
| Minas Gerais | 1,87 | 7,27% | 5º |
| Top 5 total | 17,41 | 67,57% | — |
UF de destino é o estado do CNPJ do importador, não onde a mercadoria fisicamente desembarca (para isso, ver a tabela de URFs adiante). São Paulo recuou para 32,53% (-1,35pp vs julho), a menor concentração desde maio. Minas Gerais entra no Top 5 (7,27%), tirando o Amazonas por uma margem mínima (o AM ficou em 7,08%, 6º lugar).
| Modal | Share |
|---|---|
| 🚢 Marítimo | 72,81% |
| ✈️ Aéreo | 22,03% |
| 🚛 Rodoviário | 4,37% |
| Outros (conduto/rede, ferroviário, ficta) | 0,79% |
Top 5 portas de despacho aduaneiro (URFs) em agosto:
| URF (porta de entrada física) | UF | Share |
|---|---|---|
| 🚢 Porto de Santos | SP | 23,40% |
| 🚢 Porto de Paranaguá | PR | 6,41% |
| ✈️ Aeroporto de Viracopos | SP | 5,95% |
| 🚢 Itajaí | SC | 5,54% |
| 🚢 Porto de São Francisco do Sul | SC | 5,01% |
| Top 5 total | — | 46,31% |
Santos segue concentrando quase 1 em cada 4 dólares importados, mas perdeu 1,22pp de participação frente a julho, coerente com a leve desconcentração geral do Top 5 de URFs. Viracopos mantém a 3ª posição, puxado pelo aéreo em alta constante desde maio.
| # | NCM | Descrição | Categoria | US$ M | % total |
|---|---|---|---|---|---|
| 1 | 2710.19.21 | Gasóleo (óleo diesel) | ⛽ Combustível | 1.183 | 4,59% |
| 2 | 2709.00.10 | Óleos brutos de petróleo | ⛽ Combustível | 547 | 2,12% |
| 3 | 3002.15.90 | Produtos imunológicos em doses | 💊 Farma | 490 | 1,90% |
| 4 | 2710.12.59 | Outras gasolinas | ⛽ Combustível | 399 | 1,55% |
| 5 | 3104.20.90 | Cloreto de potássio | 🌾 Fertilizante | 327 | 1,27% |
| 6 | 8704.21.90 | Caminhões a diesel ≤5t | 🚛 Automotivo | 307 | 1,19% |
| 7 | 7403.11.00 | Cátodos de cobre refinado | 🏭 Insumo industrial | 289 | 1,12% |
| 8 | 8471.49.00 | Máquinas de processamento de dados | 💻 Tecnologia | 284 | 1,10% |
| 9 | 8542.31.20 | Processadores e controladores (SMD) | 💻 Tecnologia | 238 | 0,92% |
| 10 | 3105.40.00 | Fosfato monoamônico | 🌾 Fertilizante | 224 | 0,87% |
| Top 10 acumulado | 4.289 | 16,65% | |||
O grupo normalizou depois do salto de julho, sem sinal de nova distorção pontual.
Cloreto de potássio (US$ 327 mi) e fosfato monoamônico (US$ 224 mi) recuaram forte frente a julho. Sazonalidade de safra é a explicação mais provável, mas exige confirmação em pelo menos mais um mês de dado antes de virar conclusão.
Processadores e controladores SMD (US$ 238 mi) e outras máquinas de processamento de dados (US$ 284 mi) aparecem no Top 10 pela primeira vez desde março. Somados a cátodos de cobre refinado (US$ 289 mi, insumo para componentes eletrônicos e infraestrutura elétrica), o conjunto sugere aceleração pontual de compras ligadas a infraestrutura de dados, mas um único mês não caracteriza tendência.
Já temos oito meses de 2026 fechados. Agosto reforça uma lição que já apareceu em abril, junho e julho: quando um fornecedor concentra a narrativa de um mês (a Rússia em abril e maio, a eletromobilidade chinesa em junho), o mês seguinte tende a normalizar o exagero, não confirmá-lo como tendência permanente.
A Rússia caiu 53,9% em 30 dias, mas isso não significa que o país “sumiu” do comércio exterior brasileiro: significa que o pico de abril e maio, puxado por diesel, sempre foi um desvio de curto prazo, não uma mudança estrutural de rota comercial. Quem tratou aquele pico como novo normal geopolítico estava lendo ruído como sinal.
Um fornecedor que domina a manchete de um mês raramente domina a manchete do mês seguinte. Trate pico como pico, não como novo patamar.
A regra prática: exija pelo menos dois meses de confirmação antes de tratar uma variação grande (>20pp em valor) como mudança estrutural de fornecedor. Um mês isolado, para cima ou para baixo, é dado, não é tendência.
A queda de 53,9% é real, mas o histórico da série mostra que um único mês de variação grande costuma reverter parcialmente no mês seguinte. Peça ao fornecedor a explicação específica (câmbio, logística, contrato pontual) antes de reclassificar o risco geopolítico da rota.
Pela primeira vez em 2026 a Índia tem volume relevante o bastante para entrar no Top 5. Se sua pauta inclui categorias em que a Índia é fornecedor competitivo (farmacêuticos, têxteis, químicos), vale cotar agora, antes de o resto do mercado brasileiro perceber o mesmo movimento.
A troca de posição entre MG e AM no Top 5 de estados foi por margem mínima (7,27% vs 7,08%). Não é ainda um sinal de mudança estrutural na Zona Franca de Manaus — é a diferença de um mês, dentro da margem normal de variação mensal.
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Testar a Heyship grátis →Agosto é o mês em que dois fornecedores trocaram de lugar sem que a pauta brasileira mudasse de forma: a Rússia saiu do Top 5, a Índia entrou, o total de combustíveis mal se moveu. Não foi uma ruptura na cadeia de suprimentos brasileira, foi uma realocação dentro de uma estrutura que segue estável.
O Brasil importou US$ 25,76 bilhões em agosto, queda de 5,1% sobre julho. Quem olha só o total vê uma retração. Quem olha a composição por país vê o mercado se reequilibrando depois de dois meses de distorções pontuais (elétricos em junho, diesel sem Rússia em julho). Os dois estão certos sobre números diferentes.
Edições anteriores da série:
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Dados oficiais:
Análise baseada em dados oficiais do Comex Stat / MDIC · Período: agosto/2026 · Imagem de capa: Alesia Kozik / Pexels · Publicado em 2026-09-14
Escrito por
Vinicius Alves Marques - Founder
Empreendedor experiente em comércio internacional, com foco em otimização de processos e automação logística. Fundou a primeira empresa na China em 2012.
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