# Importação Direta, por Conta e Ordem ou por Encomenda: qual escolher?

> Importação direta, conta e ordem e por encomenda têm estruturas jurídicas, custos e riscos diferentes. Entenda qual modalidade se encaixa no seu volume de importação e não pague fee desnecessário de trading.

Source: https://heyship.com.br/blog/importacao-direta-conta-ordem-encomenda/

Três modalidades de importação respondem por mais de 90% das operações registradas no Siscomex. Importação direta, por conta e ordem e por encomenda têm estruturas jurídicas, custos e riscos completamente diferentes — e escolher a errada pode encarecer sua operação em 15% ou travar um desembaraço.

**Por que isso importa:** A modalidade define quem detém o RADAR, quem assina a DI, quem responde tributariamente e quanto custa a operação. Não é decisão operacional — é decisão estratégica.

 Neste artigo



1. [1. O que é importação direta](#importacao-direta)
2. [2. O que é importação por conta e ordem?](#conta-e-ordem)
3. [3. O que é importação por encomenda?](#por-encomenda)
4. [4. Comparativo: quando usar cada modalidade](#comparativo)
5. [5. Como escolher para o porte da sua empresa](#como-escolher)

## O que é importação direta

Na importação direta, a própria empresa compradora realiza todos os atos do processo: habilita o RADAR no Siscomex, registra a Declaração de Importação (DI), paga os tributos e assume a responsabilidade jurídica e fiscal da operação do início ao fim.

É a modalidade mais comum entre empresas de médio e grande porte com volume recorrente de importações. Exige habilitação prévia no RADAR — processo que pode levar de 5 a 90 dias dependendo da modalidade (Expressa, Limitada ou Ilimitada) e do perfil fiscal da empresa.

- **Quem opera:** a própria empresa importadora, com ou sem o auxílio de um despachante aduaneiro
- **RADAR:** obrigatório — a empresa precisa estar habilitada antes da primeira operação
- **Responsabilidade tributária:** 100% da empresa — II, IPI, ICMS, PIS, COFINS recolhidos diretamente
- **Custo operacional:** menor no longo prazo — sem margem de trading; apenas honorários do despachante
- **Volume mínimo:** não há mínimo legal, mas abaixo de US$ 50 mil/ano o custo de manutenção do RADAR pode não compensar

 “Importação direta dá mais controle e menor custo unitário — mas exige capacidade interna para gerir o RADAR, a DI e o relacionamento com a Receita Federal.”



Para entender o custo total de cada operação direta, incluindo tributos, frete e taxa de câmbio, veja o guia de [como calcular o custo de importação de um produto](https://heyship.com.br/blog/calcular-custo-importacao-produto/).

## O que é importação por conta e ordem?

Na importação por conta e ordem de terceiros, uma **trading company ou importadora** registra a DI em seu nome — mas por ordem expressa e com recursos financeiros de outra empresa (o contratante). A titularidade da mercadoria, desde a origem, é do contratante.

A diferença fundamental em relação à importação direta: quem tem o RADAR é a trading, não o contratante. O contratante não precisa estar habilitado no Siscomex.

- **Quem opera:** a trading/importadora em nome do contratante
- **Financiamento:** recursos do contratante — a trading não compra a mercadoria, apenas operacionaliza
- **Responsabilidade tributária:** solidária — trading e contratante respondem conjuntamente
- **Documentação obrigatória:** contrato de prestação de serviços entre trading e contratante; CNPJ do contratante na DI
- **Custo:** fee de serviço da trading (geralmente 1% a 3% do valor CIF) + tributos normais
- **Ideal para:** empresas sem RADAR que já têm fornecedor definido e recursos para pagar a importação

A Instrução Normativa RFB nº 1.861/2018 regulamenta a conta e ordem e exige que o contrato esteja registrado no Sistema Integrado de Comércio Exterior de Serviços (Siscoserv) quando há remessa de valores ao exterior.

## O que é importação por encomenda?

Na importação por encomenda, a trading importa com **recursos próprios** e revende a mercadoria ao contratante no mercado interno. A diferença-chave em relação à conta e ordem: aqui a trading é proprietária da mercadoria durante todo o processo de importação.

O contratante faz um pedido antecipado (a “encomenda”), mas só adquire juridicamente a mercadoria após o desembaraço, quando a trading emite a nota fiscal de venda no mercado interno.

- **Quem opera:** a trading com capital próprio
- **Financiamento:** a trading financia a operação — risco de crédito é dela
- **Responsabilidade tributária:** exclusiva da trading na importação; do comprador na operação interna
- **Custo:** margem comercial da trading (maior que o fee de conta e ordem) + ICMS da operação interna
- **Ideal para:** empresas que não têm capital para financiar a importação ou não querem risco cambial

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## Comparativo: quando usar cada modalidade

CritérioDiretaConta e OrdemPor EncomendaRADAR necessárioSim (empresa)Não (é da trading)Não (é da trading)Capital na importaçãoDa empresaDa empresaDa tradingResponsab. tributária100% empresaSolidáriaTrading (import.) / Comprador (venda interna)Custo extraSó despachanteFee 1–3% CIFMargem da trading (maior)Controle da operaçãoTotalParcialBaixoPrazo de habilitação5–90 dias (RADAR)ImediatoImediatoIdeal paraVolume recorrente, margem apertadaSem RADAR, com capital próprioSem RADAR, sem capital

## Como escolher para o porte da sua empresa

A decisão não é binária — muitas empresas usam modalidades diferentes conforme o fornecedor, o produto e o momento de caixa.

**Empresas iniciantes (menos de US$ 100 mil/ano em importações):** comece pela conta e ordem. O custo do fee da trading é menor que o custo de estruturar e manter o RADAR internamente. À medida que o volume cresce, avalie migrar para a direta.

**Empresas em crescimento (US$ 100 mil a US$ 500 mil/ano):** o ponto de equilíbrio começa a mudar. Com volume acima de US$ 150 mil, o RADAR Limitado se paga rapidamente e o controle da operação direta passa a compensar. Calcule o fee total pago à trading nos últimos 12 meses — geralmente supera o custo de ter o RADAR.

**Empresas maduras (mais de US$ 500 mil/ano):** importação direta em praticamente todos os casos. O custo do fee de trading em volume alto é expressivo — US$ 500 mil × 2% = R$ 50 mil/ano só em fee, fora o ICMS da operação interna na por encomenda.

 2–3%

 Fee médio de trading na conta e ordem — sobre o valor CIF total da importação



Se sua empresa ainda não tem RADAR, entenda o processo completo em nosso guia de como habilitar o Radar de Importação. Para o contexto macroeconômico que influencia a decisão de importar agora, veja as [3 tendências do comércio exterior em 2026](https://heyship.com.br/blog/3-tendencias-globais-do-comercio-exterior-em-2026/).

## Para saber mais

- [**Portal Único SISCOMEX**](https://portalunico.siscomex.gov.br/) — onde habilitar o RADAR e registrar DIs para importação direta e conta e ordem
- [**Receita Federal — Despacho de Importação**](https://www.gov.br/receitafederal/pt-br/assuntos/aduana-e-comercio-exterior/manuais/despacho-de-importacao) — manual oficial com regras de DI, modalidades e responsabilidades tributárias
- [**MDIC — Comércio Exterior**](https://www.gov.br/mdic/pt-br/assuntos/comercio-exterior) — dados de fluxo comercial e normas de operação para importadores
- [**Como Calcular o Custo de Importação**](https://heyship.com.br/blog/calcular-custo-importacao-produto/) — metodologia completa para calcular o landed cost de cada modalidade

## Moral da história

Modalidade de importação não é detalhe operacional — é estrutura de custo. Empresas que usam conta e ordem por comodidade quando já têm volume para o RADAR direto estão pagando uma taxa que não aparece na nota fiscal, mas sai da margem todo mês.

## Perguntas Frequentes

 Qual a diferença entre importação por conta e ordem e por encomenda? Na conta e ordem, a trading opera com recursos do contratante — a mercadoria pertence ao contratante desde a origem. Na por encomenda, a trading usa capital próprio e compra a mercadoria para si, revendendo ao contratante após o desembaraço via nota fiscal interna. A diferença tributária é relevante: na encomenda há ICMS da operação interna que não existe na conta e ordem.



 Posso fazer importação direta sem ter RADAR? Não. A habilitação no RADAR Siscomex é obrigatória para registrar qualquer Declaração de Importação formal. Sem RADAR, a única alternativa de fazer a importação sem o intermediário é a modalidade simplificada (até US$ 3.000 por operação), que dispensa o RADAR. Acima desse valor, é necessário ter RADAR ou usar uma trading.



 Quanto tempo leva para habilitar o RADAR para importação direta? A modalidade Expressa (até US$ 50 mil por semestre) leva de 5 a 10 dias úteis. A Limitada (até US$ 50 mil ou US$ 150 mil por semestre, dependendo do faturamento) pode levar de 15 a 30 dias. A Ilimitada exige análise mais aprofundada e pode chegar a 90 dias. Em todos os casos, o processo é feito pelo Portal Único Siscomex e exige regularidade fiscal completa (CNPJ, IRPJ, CSLL, contribuições previdenciárias).



 A importação por conta e ordem exige contrato formal? Sim. A IN RFB 1.861/2018 exige que o contrato de prestação de serviços entre a trading e o contratante seja formalizado e que o CNPJ do contratante conste na DI. Operar conta e ordem sem contrato formal configura simulação e pode levar ao perdimento da mercadoria pela Receita Federal. O contrato também é necessário para fins de creditamento de PIS/COFINS e apuração de ICMS.



 Qual modalidade é mais barata para quem importa regularmente? Para volume acima de US$ 150 mil/ano, a importação direta é quase sempre mais barata. O fee de uma trading na conta e ordem (1–3% do CIF) sobre esse volume representa R$ 9 mil a R$ 27 mil anuais — suficiente para pagar um despachante dedicado com margem sobrar. Na por encomenda, o custo adicional é ainda maior porque inclui a margem da trading e o ICMS da operação interna.
