# Brasil importou US$ 25,76 bi em agosto: Rússia despenca 54%

> As importações do Brasil somaram US$ 25,76 bilhões em agosto/2026, queda de 5,1% sobre julho. O destaque do mês foi a Rússia, que despencou 53,9% em valor e saiu do Top 5 de fornecedores, enquanto a Índia deu o salto mais forte, entrando no Top 5 pela primeira vez em 2026.

Source: https://heyship.com.br/blog/analise-importacoes-agosto-2026/

**As importações Brasil agosto 2026 somaram US$ 25,76 bilhões: queda de 5,1% sobre julho, mas alta de 9,2% sobre agosto/2025. O dado que define o mês não é o total, é a Rússia: o país despencou 53,9% em valor em 30 dias (de US$ 940 milhões para US$ 434 milhões), saindo do Top 5 de fornecedores pela primeira vez desde abril.**

Enquanto a Rússia recuava, dois movimentos compensaram: a China recuperou parte do espaço perdido em julho (+2,02pp, voltando a 25,65%) e a Índia deu o salto mais forte do mês, entrando no Top 5 pela primeira vez em 2026 (+43,4% em valor, de 2,38% para 3,60% de participação). **Por que isso importa:** quem monta plano de contingência olhando só para “dependência da China” está de olho no fornecedor errado. Em agosto, o fornecedor que sumiu do mapa em 30 dias foi outro.

Quarto mês seguido sem outlier de NCM: nenhuma posição individual passou de 5% do total importado, como em maio, junho e julho. Sem distorção pontual de um produto específico, o retrato de agosto é geográfico: recomposição de fornecedores, não mudança de pauta.

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Neste artigo

1. [O que mudou em agosto](#o-que-mudou-em-agosto)
2. [Por que a Rússia perdeu mais da metade do espaço em um mês?](#russia-recua-agosto)
3. [Estados que mais importaram: Minas Gerais entra no Top 5](#estados-mais-importaram-agosto)
4. [Modais e portas de despacho](#modais-portas-agosto)
5. [Dependências estruturais que continuam](#dependencias-estruturais-agosto)
6. [O custo oculto dos números mensais](#custo-oculto-mensais-agosto)
7. [Três ações práticas para esta semana](#tres-acoes-agosto)
8. [Para ir mais fundo](#para-ir-mais-fundo-agosto)

## O que mudou em agosto

Três movimentos no Top 5 de fornecedores: um recuo abrupto, uma recuperação parcial, uma entrada inédita.

PaísValor (US$ bi)Ago/2026Jul/2026Variação🇨🇳 China6,61**25,65%**23,63%**+2,02pp ⬆**🇺🇸 EUA4,01**15,58%**15,91%−0,33pp🇩🇪 Alemanha1,415,48%5,19%+0,28pp🇦🇷 Argentina1,104,26%4,26%+0,01pp🇮🇳 Índia0,93**3,60%**2,38%**+1,22pp ⬆****Top 5 total**14,06**54,58%**51,38%+3,20ppTop 5 países de origem das importações brasileiras em agosto/2026 vs julho/2026, variação em pontos percentuais (pp). Índia entra no Top 5 pela primeira vez na série em 2026, no lugar da Rússia. **Fonte:** MDIC / ComexStat.Rússia: o colapso em 30 dias (US$ milhões)

Julho (ainda no Top 5) → Agosto (fora do Top 5)

Julho940





Agosto434





Valor FOB total importado da Rússia por mês. Queda de 53,9% em 30 dias tira o país do Top 5 de fornecedores pela primeira vez desde abril/2026. **Fonte:** MDIC / ComexStat (cálculo Heyship).



### Movimento 1: Rússia sai do Top 5 com a maior queda mensal da série

A Rússia caiu de US$ 940 milhões para **US$ 434 milhões, queda de 53,9% em um único mês**, saindo do Top 5 pela primeira vez desde abril. Em julho, esta série já notava que o diesel voltava a subir “sem o dedo da Rússia” (o país havia crescido só 12,6% naquele mês, enquanto o total do diesel saltava 156%). Agosto confirma a normalização: o fornecedor que dominou a narrativa de abril e maio perde relevância estrutural, não só posição relativa.

### Movimento 2: China recupera parte do espaço perdido em julho

Depois da maior queda mensal da série em julho (-5,71pp, puxada pelo fim das compras antecipadas de elétricos), a China voltou a crescer: +2,02pp, para 25,65%. É recuperação parcial, não retorno ao patamar de junho (29,43%) — o corte tarifário sobre elétricos segue em vigor, então o espaço recuperado veio de outras categorias, não de uma volta da eletromobilidade chinesa.

### Movimento 3 (inédito): Índia entra no Top 5 pela primeira vez em 2026

A Índia saltou 43,4% em valor (de US$ 647 milhões para US$ 928 milhões), passando de 2,38% para 3,60% de participação e ocupando a vaga que a Rússia deixou. É a primeira vez que a Índia aparece no Top 5 de fornecedores em qualquer edição desta série em 2026 — até aqui, o país só havia sido citado como alternativa de diversificação de sourcing, nunca como presença efetiva no topo da tabela.

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## Por que a Rússia perdeu mais da metade do espaço em um mês?

O ComexStat não divulga o motivo por trás de cada variação: só o valor. Mas a magnitude descarta ruído estatístico.

IndicadorJulho/2026Agosto/2026Importado da RússiaUS$ 940 mi**US$ 434 mi**Variação MoM+12,6%**−53,9%**Participação no total3,46%**1,68%**Posição no ranking de fornecedores5º**fora do Top 10**Trajetória das importações brasileiras da Rússia, julho vs agosto/2026. **Fonte:** MDIC / ComexStat.Em [julho](https://heyship.com.br/blog/analise-importacoes-julho-2026/), o diesel voltou a disparar (+156% MoM) sem que a Rússia explicasse o salto: o país cresceu apenas 12,6% naquele mês. O padrão se confirma agora, na direção oposta: quando a Rússia efetivamente recua (-53,9%), o diesel total cai só 3,9% (de US$ 1,23 bi para US$ 1,18 bi). **A conclusão prática é a mesma dos últimos dois meses: trate a Rússia como fornecedor marginal de combustível no Brasil, não como variável estrutural** — o mercado brasileiro de diesel já demonstrou, em dois meses seguidos, que se equilibra com fornecedores tradicionais independente do que a Rússia faz.

O contraponto é a Índia, que cresceu 43,4% no mesmo período. Sem dado de produto por país nesta edição, a leitura responsável é: a saída da Rússia do Top 5 não criou um vácuo, foi preenchida por recomposição normal de fornecedores, o tipo de ajuste que o ComexStat registra todo mês sem virar manchete, só que desta vez com magnitude grande o suficiente para mudar o ranking.

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## Top 5 estados que mais importaram em agosto: Minas Gerais entra no Top 5

UF de destinoValor (US$ bi)Ago/2026PosiçãoSão Paulo8,38**32,53%**1ºSanta Catarina3,1712,29%2ºRio de Janeiro2,047,92%3ºParaná1,957,56%4ºMinas Gerais1,877,27%5º**Top 5 total**17,41**67,57%**—Top 5 estados brasileiros por valor importado em agosto/2026, UF é o estado do CNPJ do importador. **Fonte:** MDIC / ComexStat.**UF de destino é o estado do CNPJ do importador**, não onde a mercadoria fisicamente desembarca (para isso, ver a tabela de URFs adiante). São Paulo recuou para 32,53% (-1,35pp vs julho), a menor concentração desde maio. **Minas Gerais entra no Top 5** (7,27%), tirando o Amazonas por uma margem mínima (o AM ficou em 7,08%, 6º lugar).

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## Modais e portas de despacho: marítimo segue acima de 70%

ModalShare🚢 Marítimo**72,81%**✈️ Aéreo22,03%🚛 Rodoviário4,37%Outros (conduto/rede, ferroviário, ficta)0,79%Distribuição das importações brasileiras de agosto/2026 por modal de transporte (valor FOB). O aéreo segue acima de 20% pelo 4º mês seguido. **Fonte:** MDIC / ComexStat.**Top 5 portas de despacho aduaneiro (URFs) em agosto:**

URF (porta de entrada física)UFShare🚢 Porto de SantosSP**23,40%**🚢 Porto de ParanaguáPR6,41%✈️ Aeroporto de ViracoposSP5,95%🚢 ItajaíSC5,54%🚢 Porto de São Francisco do SulSC5,01%**Top 5 total**—**46,31%**Top 5 unidades aduaneiras (URFs) que despacharam o maior valor em agosto/2026, desembaraço físico das mercadorias. Concentração no Top 5 caiu 2,94pp vs julho. **Fonte:** MDIC / ComexStat.Santos segue concentrando quase 1 em cada 4 dólares importados, mas perdeu 1,22pp de participação frente a julho, coerente com a leve desconcentração geral do Top 5 de URFs. Viracopos mantém a 3ª posição, puxado pelo aéreo em alta constante desde maio.

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## Dependências estruturais que continuam

\#NCMDescriçãoCategoriaUS$ M% total1**2710.19.21**Gasóleo (óleo diesel)⛽ Combustível**1.183****4,59%**22709.00.10Óleos brutos de petróleo⛽ Combustível5472,12%33002.15.90Produtos imunológicos em doses💊 Farma4901,90%42710.12.59Outras gasolinas⛽ Combustível3991,55%53104.20.90Cloreto de potássio🌾 Fertilizante3271,27%68704.21.90Caminhões a diesel ≤5t🚛 Automotivo3071,19%77403.11.00Cátodos de cobre refinado🏭 Insumo industrial2891,12%88471.49.00Máquinas de processamento de dados💻 Tecnologia2841,10%98542.31.20Processadores e controladores (SMD)💻 Tecnologia2380,92%103105.40.00Fosfato monoamônico🌾 Fertilizante2240,87%**Top 10 acumulado****4.289****16,65%**Top 10 NCMs (Nomenclatura Comum do Mercosul) por valor FOB importado em agosto/2026. Duas posições de tecnologia (processadores e máquinas de processamento de dados) entram no Top 10 pela primeira vez desde março. **Fonte:** MDIC / ComexStat.### ⛽ Combustíveis: US$ 2,13 bi em agosto (−11,6% MoM)

- Gasóleo (diesel): US$ 1,18 bilhão, recuo de 3,9% frente ao pico de julho
- Petróleo bruto: US$ 547 milhões
- Outras gasolinas: US$ 399 milhões

O grupo normalizou depois do salto de julho, sem sinal de nova distorção pontual.

### 🌾 Fertilizantes: US$ 551 milhões (−31,4% MoM)

Cloreto de potássio (US$ 327 mi) e fosfato monoamônico (US$ 224 mi) recuaram forte frente a julho. Sazonalidade de safra é a explicação mais provável, mas exige confirmação em pelo menos mais um mês de dado antes de virar conclusão.

### 💻 Tecnologia: entrada nova no Top 10

Processadores e controladores SMD (US$ 238 mi) e outras máquinas de processamento de dados (US$ 284 mi) aparecem no Top 10 pela primeira vez desde março. Somados a cátodos de cobre refinado (US$ 289 mi, insumo para componentes eletrônicos e infraestrutura elétrica), o conjunto sugere aceleração pontual de compras ligadas a infraestrutura de dados, mas um único mês não caracteriza tendência.

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## O custo oculto de confiar em números mensais

Já temos oito meses de 2026 fechados. Agosto reforça uma lição que já apareceu em abril, junho e julho: quando um fornecedor concentra a narrativa de um mês (a Rússia em abril e maio, a eletromobilidade chinesa em junho), o mês seguinte tende a normalizar o exagero, não confirmá-lo como tendência permanente.

A Rússia caiu 53,9% em 30 dias, mas isso não significa que o país “sumiu” do comércio exterior brasileiro: significa que o pico de abril e maio, puxado por diesel, sempre foi um desvio de curto prazo, não uma mudança estrutural de rota comercial. **Quem tratou aquele pico como novo normal geopolítico estava lendo ruído como sinal.**

Um fornecedor que domina a manchete de um mês raramente domina a manchete do mês seguinte. Trate pico como pico, não como novo patamar.



A regra prática: **exija pelo menos dois meses de confirmação antes de tratar uma variação grande (&gt;20pp em valor) como mudança estrutural de fornecedor**. Um mês isolado, para cima ou para baixo, é dado, não é tendência.

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## Três ações práticas para esta semana

### 1. Se você tem fornecedor russo na pauta, não entre em pânico com o número de agosto isolado

A queda de 53,9% é real, mas o histórico da série mostra que um único mês de variação grande costuma reverter parcialmente no mês seguinte. **Peça ao fornecedor a explicação específica** (câmbio, logística, contrato pontual) antes de reclassificar o risco geopolítico da rota.

### 2. Avalie a Índia como origem, não só como alternativa teórica

Pela primeira vez em 2026 a Índia tem volume relevante o bastante para entrar no Top 5. Se sua pauta inclui categorias em que a Índia é fornecedor competitivo (farmacêuticos, têxteis, químicos), vale cotar agora, antes de o resto do mercado brasileiro perceber o mesmo movimento.

### 3. Se sua operação passa por Minas Gerais ou Amazonas, acompanhe os próximos dois meses

A troca de posição entre MG e AM no Top 5 de estados foi por margem mínima (7,27% vs 7,08%). **Não é ainda um sinal de mudança estrutural na Zona Franca de Manaus** — é a diferença de um mês, dentro da margem normal de variação mensal.

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## Moral da história

Agosto é o mês em que dois fornecedores trocaram de lugar sem que a pauta brasileira mudasse de forma: a Rússia saiu do Top 5, a Índia entrou, o total de combustíveis mal se moveu. **Não foi uma ruptura na cadeia de suprimentos brasileira, foi uma realocação dentro de uma estrutura que segue estável.**

O Brasil importou US$ 25,76 bilhões em agosto, queda de 5,1% sobre julho. **Quem olha só o total vê uma retração. Quem olha a composição por país vê o mercado se reequilibrando depois de dois meses de distorções pontuais (elétricos em junho, diesel sem Rússia em julho). Os dois estão certos sobre números diferentes.**

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## Para ir mais fundo

**Edições anteriores da série:**

- [Análise importações julho/2026: elétrico chinês despenca 97%](https://heyship.com.br/blog/analise-importacoes-julho-2026/)
- [Análise importações junho/2026: diesel russo despenca 64%](https://heyship.com.br/blog/analise-importacoes-junho-2026/)

**Conteúdo relacionado:**

- [Importações do Brasil em 2026: a análise completa (pillar)](https://heyship.com.br/blog/importacoes-brasil-2026-analise-completa/)
- [Como importar da China em 2026: guia completo para importadores](https://heyship.com.br/blog/como-importar-da-china-2026/)
- [Impostos na importação em 2026: II, IPI, ICMS, PIS e COFINS explicados](https://heyship.com.br/blog/impostos-importacao-ii-ipi-icms-pis-cofins/)

**Dados oficiais:**

- [Comex Stat: Estatísticas de Comércio Exterior](http://comexstat.mdic.gov.br/pt/home)
- [API ComexStat: documentação Swagger](https://api-comexstat.mdic.gov.br/docs/?ui=swagger)
- [Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços](https://www.gov.br/mdic/)

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## Perguntas Frequentes

Por que a Rússia saiu do Top 5 de fornecedores do Brasil em agosto/2026?As importações da Rússia caíram de US$ 940 milhões em julho para US$ 434 milhões em agosto, queda de 53,9% em valor. O ComexStat não divulga o motivo específico, mas a magnitude e o fato de o diesel total (principal produto russo importado pelo Brasil) ter caído só 3,9% no mesmo período indicam normalização de um pico pontual, não uma ruptura na relação comercial.



A Índia é um fornecedor relevante para o Brasil agora?Em agosto/2026, a Índia entrou no Top 5 de fornecedores do Brasil pela primeira vez desde o início da série em 2026, com US$ 928 milhões importados (3,60% do total), alta de 43,4% frente a julho. Um único mês de crescimento não confirma tendência estrutural, mas é a primeira vez que o país aparece entre os cinco maiores fornecedores nesta série.



A China voltou a crescer nas importações brasileiras?Sim, mas parcialmente. Depois de cair 5,71pp em julho (fim das compras antecipadas de veículos elétricos antes do imposto de 35%), a China recuperou 2,02pp em agosto, voltando a 25,65% do total importado. Isso ainda fica abaixo do pico de junho (29,43%), e o corte tarifário sobre elétricos segue em vigor, então a recuperação veio de outras categorias da pauta chinesa.



Por que não houve nenhuma NCM outlier em agosto?O maior NCM individual de agosto (gasóleo/diesel, código 2710.19.21) respondeu por apenas 4,59% do total importado, abaixo do patamar de 10% que caracterizaria uma distorção pontual de produto. É o quarto mês seguido (maio, junho, julho e agosto) sem um NCM dominando a pauta, sinal de que o movimento do mês é geográfico (troca de fornecedores), não de composição de produtos.



Onde encontro os dados oficiais do ComexStat?No portal Comex Stat (comexstat.mdic.gov.br) ou diretamente via API pública (api-comexstat.mdic.gov.br). Os dados têm defasagem de 30 a 40 dias entre o fechamento do mês e a disponibilidade. Agosto/2026 foi liberado pelo MDIC no início de setembro/2026.





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_Análise baseada em **dados oficiais do Comex Stat / MDIC** · Período: agosto/2026 · Imagem de capa: Alesia Kozik / [Pexels](https://www.pexels.com/photo/black-screen-with-graph-6781273/) · Publicado em 2026-09-14_
